USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Primigesta, 24 anos, com gestação de 27 semanas, procura pronto atendimento devido urgência miccional, disúria e ''cheiro forte na urina'' há 5 dias e dor lombar à direita há 1 dia. A gestante relata episódios prévios de ''cistite'' tratados com antibióticos variados. Ela procurou unidade básica de saúde há 2 dias, quando recebeu a prescrição de norfloxacina. Relata que não apresentou melhora do quadro. Exame físico: temperatura 37,Bº C, descorada (+/4+), Giordano positivo à direita. Restante do exame físico geral e obstétrico normal. Qual alternativa é mais adequada após internação dessa paciente?
Pielonefrite gestacional → Internação, ATB parenteral (ex: Cefuroxima) e USG renal para descartar complicações.
A pielonefrite na gestação é uma condição grave que exige internação e tratamento com antibióticos parenterais seguros para a gestante e o feto. A norfloxacina é contraindicada. A ultrassonografia renal é fundamental para investigar hidronefrose ou outras complicações que possam agravar o quadro.
A pielonefrite aguda é a complicação infecciosa mais comum e grave na gestação, afetando cerca de 1-2% das gestantes. É uma condição que exige atenção imediata devido ao risco de sepse materna, parto prematuro, baixo peso ao nascer e sofrimento fetal. A fisiopatologia envolve a estase urinária e o refluxo vesicoureteral, exacerbados pelas alterações hormonais e mecânicas da gravidez. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e exame físico, e confirmado por urocultura. A suspeita deve ser alta em gestantes com febre e sintomas urinários ou dor lombar. O tratamento inicial deve ser realizado em ambiente hospitalar, com antibióticos parenterais de amplo espectro, como cefalosporinas de segunda ou terceira geração (ex: cefuroxima, ceftriaxona), que são seguras na gestação. A ultrassonografia renal é um exame complementar indispensável para identificar possíveis complicações como hidronefrose, abscesso ou litíase, que podem necessitar de intervenção adicional. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a falha terapêutica ou o atraso no diagnóstico podem levar a desfechos maternos e fetais adversos. É fundamental que residentes reconheçam a gravidade da condição e saibam manejar corretamente, evitando antibióticos contraindicados e realizando a investigação por imagem apropriada.
Os sinais e sintomas incluem febre, dor lombar (especialmente com Giordano positivo), disúria, urgência miccional, polaciúria e, em casos mais graves, calafrios e mal-estar geral. A dor lombar é um indicativo chave de envolvimento renal.
A norfloxacina, uma fluoroquinolona, é contraindicada na gestação devido ao risco de artropatia em fetos e crianças, além de outros potenciais efeitos adversos. Antibióticos como cefalosporinas são opções mais seguras.
A ultrassonografia renal é crucial para avaliar a presença de hidronefrose, que é a dilatação do sistema coletor renal, comum na gestação devido à compressão ureteral pelo útero gravídico e relaxamento da musculatura lisa. Também ajuda a descartar litíase ou abscesso renal.
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