MedEvo Simulado — Prova 2026
Letícia, 24 anos, secundigesta com um parto vaginal anterior, atualmente com 22 semanas de gestação, procura a emergência obstétrica com queixa de febre alta (38,8 °C) iniciada há 12 horas, acompanhada de calafrios e dor intensa em região lombar à direita. Nega disúria, polaciúria ou urgência miccional. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, desidratada (+/4+), com frequência cardíaca de 105 bpm e pressão arterial de 110/70 mmHg. A punho-percussão lombar direita é francamente positiva (sinal de Giordano). Os exames laboratoriais colhidos no momento mostram: Hemoglobina 11,2 g/dL, Leucócitos 17.500/mm³ com 8% de bastões, Proteína C-Reativa (PCR) 62 mg/L. O exame de Elementos Anormais e Sedimento (EAS) revela nitrito positivo, leucocitúria maciça e presença de numerosas bactérias por campo. A conduta mais adequada é:
Pielonefrite na gestante = Internação compulsória + Antibioticoterapia parenteral (ex: Ceftriaxona).
Toda gestante com pielonefrite deve ser internada para hidratação e antibioticoterapia IV devido ao alto risco de progressão para sepse e complicações como parto prematuro.
A pielonefrite é a complicação médica não obstétrica mais comum que requer hospitalização durante a gravidez, ocorrendo em cerca de 1-2% das gestações. A fisiopatologia envolve a compressão mecânica do útero gravídico sobre os ureteres e o efeito relaxante da progesterona na musculatura lisa, resultando em estase urinária. O diagnóstico é clínico, baseado em febre, dor lombar e sinal de Giordano positivo, corroborado por alterações no EAS e urocultura. O tratamento agressivo é crucial para prevenir a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) materna e a anemia hemolítica, complicações associadas às endotoxinas bacterianas na gestação. Além disso, a recorrência é comum, exigindo acompanhamento rigoroso com uroculturas mensais e, frequentemente, antibioticoterapia profilática até o parto.
A gestação promove alterações fisiológicas como a dilatação pielocalicial e redução do peristaltismo ureteral, o que facilita a ascensão bacteriana e aumenta drasticamente o risco de urosepse, choque séptico e trabalho de parto prematuro. A internação garante hidratação vigorosa, monitorização fetal e administração de antibióticos parenterais, garantindo níveis séricos adequados que o tratamento oral poderia não atingir devido a náuseas comuns no quadro.
A Ceftriaxona (cefalosporina de 3ª geração) é frequentemente a primeira escolha devido ao seu amplo espectro contra enterobactérias (especialmente E. coli) e seu perfil de segurança estabelecido na gestação. Outras opções incluem Cefazolina ou Ampicilina associada à Gentamicina, dependendo do protocolo institucional e da gravidade do quadro clínico.
A transição para a via oral e a alta hospitalar só devem ocorrer após a paciente estar afebril por pelo menos 24 a 48 horas, com melhora clínica evidente e tolerância oral. Após a alta, a paciente deve completar o ciclo de 10 a 14 dias de antibiótico e manter quimioprofilaxia com Nitrofurantoína ou Cefalexina até o final da gestação.
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