UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Gestante de 24 semanas esteve internada por 3 dias, com quadro de mal-estar, náusea, cefaleia, dor lombar a direita e febre de 39°C. Afirma ter recebido antibióticos por via endovenosa durante a internação. Retorna ao hospital, 7 dias após a alta, referindo febre há 48 horas, fraqueza intensa e dor lombar. Exame físico: REG, descorada +, desidrata 2+, pulso 110 bpm, PA 90 x 55 mmHg; murmúrio vesícular diminuído base direita. Abdome: AU = 24cm, DU ausente, BCF = 168 BPM, doloroso flanco direito, sem sinais de irritação peritoneal. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Gestante com pielonefrite + febre persistente/recorrente + sinais sistêmicos → Pielonefrite complicada/sepse.
Uma gestante com histórico de pielonefrite tratada, que retorna com febre, dor lombar, taquicardia, hipotensão e desidratação, sugere uma pielonefrite complicada, possivelmente evoluindo para sepse. A falha terapêutica ou recorrência é comum e exige reavaliação e tratamento agressivo.
A pielonefrite aguda é uma infecção grave do trato urinário superior, particularmente preocupante na gestação devido ao risco aumentado de complicações maternas e fetais, como sepse, insuficiência respiratória, anemia, parto prematuro e baixo peso ao nascer. A incidência é maior em gestantes devido a alterações hormonais e mecânicas que causam estase urinária e dilatação do ureter. O quadro clínico típico inclui febre alta, calafrios, dor lombar (geralmente unilateral), náuseas, vômitos e disúria. A presença de sinais de sepse, como taquicardia, hipotensão, desidratação e deterioração do estado geral, indica uma pielonefrite complicada ou progressão para choque séptico. A falha terapêutica após um curso inicial de antibióticos também caracteriza uma complicação. O manejo da pielonefrite complicada em gestantes requer internação hospitalar imediata, antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (ajustada após resultados de culturas), hidratação vigorosa e monitoramento contínuo da mãe e do feto. É crucial identificar e tratar prontamente para evitar desfechos adversos graves. A escolha do antibiótico deve considerar a segurança fetal e o perfil de resistência local.
Sinais de alerta incluem febre persistente ou recorrente após tratamento, sinais de sepse (taquicardia, hipotensão, desidratação), dor lombar intensa e deterioração do estado geral.
A gestação predispõe a infecções urinárias devido a alterações anatômicas (dilatação do trato urinário) e fisiológicas (estase urinária), aumentando o risco de pielonefrite e suas complicações, como sepse e parto prematuro.
A conduta inicial envolve internação hospitalar, coleta de urocultura e hemocultura, antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, hidratação vigorosa e monitoramento materno-fetal rigoroso.
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