AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020
Mulher, 44 anos, em corticoterapia devido à artrite reumatoide. Mantendo níveis de taxa de filtração glomerular entre 35 e 45 mL/min/1,73 m². Quadro anterior de disúria e polaciúria.Tratada para infecção urinária por Escherichia coli há 3 semanas. Procura avaliação devido a quadro persistente de disúria concomitante com febre, calafrios, dor lombar, náuseas e vômitos. Estabelecido o diagnóstico de pielonefrite, analise as assertivas a seguir: I - A principal causa da pielonefrite é a ascensão uretral. II - A pielonefrite pode ocorrer por via hematogênica em pacientes com doença crônica ou em terapia imunossupressora. III - Na pielonefrite complicada por doença renal prévia, pode haver redução da função renal. Quais estão corretas?
Pielonefrite em imunossuprimidos pode ser hematogênica e complicar doença renal prévia.
A pielonefrite é classicamente ascendente, mas em pacientes imunossuprimidos (como a paciente em corticoterapia), a via hematogênica é uma possibilidade importante. A presença de doença renal prévia (TFG reduzida) complica o quadro e pode levar à piora da função renal.
A pielonefrite é uma infecção bacteriana do parênquima renal e do sistema coletor, sendo uma das infecções do trato urinário mais graves. Sua prevalência é maior em mulheres, e a incidência aumenta com fatores de risco como obstrução do trato urinário, diabetes mellitus e imunossupressão. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir complicações sérias. A fisiopatologia clássica da pielonefrite envolve a ascensão de bactérias da uretra para a bexiga e, subsequentemente, para os ureteres e rins. No entanto, em pacientes com condições crônicas ou em terapia imunossupressora, como a corticoterapia para artrite reumatoide, a disseminação hematogênica de bactérias de um foco infeccioso distante para os rins é uma via alternativa e importante. Os sintomas típicos incluem febre, calafrios, dor lombar, disúria e polaciúria. O diagnóstico é baseado na clínica, exames de urina (urocultura) e, por vezes, exames de imagem. O tratamento envolve antibioticoterapia empírica inicial, ajustada após o resultado da urocultura. Em pacientes com doença renal prévia, a pielonefrite é considerada complicada e pode levar à redução aguda da função renal, exigindo monitoramento rigoroso e, por vezes, internação hospitalar para manejo adequado e prevenção de sequelas a longo prazo.
A principal via é a ascendente, onde bactérias da uretra sobem até os rins. No entanto, em pacientes imunossuprimidos ou com doenças crônicas, a via hematogênica (disseminação pelo sangue) também é uma causa importante.
Pacientes imunossuprimidos podem ter apresentações atípicas, maior risco de infecções por patógenos incomuns e maior probabilidade de desenvolver pielonefrite por via hematogênica, além de um curso mais grave e com mais complicações.
Em pacientes com doença renal prévia, a pielonefrite pode levar a uma deterioração aguda da função renal, formação de abscessos renais, sepse e, em casos graves, necrose papilar ou insuficiência renal crônica progressiva.
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