Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020
Primigesta, com 23 anos de idade, 27 semanas de gestação, relata que, há dois dias, apresenta dor na região lombar à direita. Relata, ainda, que há um dia vem se sentindo muito mal, com calafrios e náuseas. Hoje, pela manhã, apresentou febre de 38,5ºC, tendo feito uso de antitérmico. Ao exame físico: estado geral regular; descorada +/4+; levemente desidratada; afebril, eupneica; frequência cardíaca de 104 bpm; Pressão arterial = 110 x 70 mmHg. Relatou dor intensa à punho percussão na região lombar direita. Ao exame obstétrico: altura uterina de 28 cm, 156 batimentos cardíacos fetais por minuto; movimentos fetais presentes, ausência de contrações uterinas. Qual a conduta a ser tomada?
Pielonefrite aguda gestacional → internação, hidratação, ATB IV empírico após culturas.
Gestantes com sintomas sistêmicos de infecção urinária alta (febre, calafrios, dor lombar, náuseas) devem ser internadas para investigação e tratamento imediato. A pielonefrite na gravidez aumenta riscos maternos e fetais, exigindo antibioticoterapia endovenosa empírica após coleta de culturas.
A pielonefrite aguda é a complicação infecciosa mais comum e grave na gestação, afetando cerca de 1-2% das gestantes. É mais frequente no segundo e terceiro trimestres, devido a alterações fisiológicas como a dilatação do trato urinário e a estase urinária, que favorecem a ascensão bacteriana. A importância clínica reside no alto risco de morbimortalidade materna e fetal, incluindo sepse, anemia, insuficiência respiratória e parto prematuro. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias (principalmente E. coli) da bexiga para os rins, facilitada pela compressão ureteral pelo útero gravídico e pelos efeitos relaxantes da progesterona na musculatura lisa do trato urinário. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas sistêmicos e na dor lombar, e confirmado por exames laboratoriais como urocultura e hemograma, que pode mostrar leucocitose e desvio à esquerda. A conduta é a internação hospitalar para hidratação venosa vigorosa e antibioticoterapia endovenosa empírica, geralmente com cefalosporinas de segunda ou terceira geração ou ampicilina-sulbactam, após a coleta de urocultura. A melhora clínica deve ocorrer em 48-72 horas. Após a alta, é essencial manter a profilaxia antibiótica até o parto e realizar uroculturas de controle.
Os sinais incluem febre, calafrios, náuseas, vômitos, dor lombar (geralmente unilateral) e disúria. A punho percussão lombar positiva é um achado comum ao exame físico.
A pielonefrite gestacional é uma emergência devido ao risco aumentado de sepse materna, anemia, insuficiência respiratória e complicações obstétricas como trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e restrição de crescimento fetal.
A conduta inicial inclui internação hospitalar, hidratação venosa, coleta de hemograma, eletrólitos e urocultura, e início imediato de antibioticoterapia endovenosa empírica, cobrindo os patógenos mais comuns.
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