INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma paciente de 32 anos de idade está grávida de seu segundo filho e faz pré-natal no centro de saúde. Solicitou um atendimento de urgência no dia de hoje, por queixa de dor lombar e mal-estar. No momento está com 29 semanas de idade gestacional. Tratou uma cistite há 2 semanas com cefalexina e, após isso, não fez nenhum exame de controle. O restante do pré-natal está normal. Refere, durante a consulta, que a dor lombar iniciou há 2 dias, que teve febre (não medida) e queda do estado geral. Nega sintomas gripais e refere boa movimentação fetal. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral, corada, hidratada, febril (temperatura = 38 °C), com pulso de 100 batimentos por minuto (bpm) e pressão arterial de 100 x 60 mmHg. Apresenta, ainda, exame cardio-pulmonar sem anormalidade. Abdome sem sinais de irritação peritoneal, com altura uterina de 28 cm. Batimentos cardíacos fetais de 148 bpm, sem dinâmica uterina. Punho percussão de região lombar dolorosa à direita . Toque vaginal com colo grosso, medianizado e impérvio.Considerando o quadro clínico apresentado, faça o que se pede nos itens a seguir.a) Cite a principal hipótese diagnóstica. Justifique sua resposta.b) Descreva qual a conduta adequada.c) Cite três possíveis complicações referentes a esse caso clínico.
Febre + Dor lombar + Gestação = Pielonefrite (Internação Obrigatória).
A pielonefrite na gestação é uma emergência médica que exige internação para antibioticoterapia parenteral devido ao alto risco de sepse e parto prematuro.
A pielonefrite aguda é uma das complicações médicas mais comuns durante a gravidez, ocorrendo em cerca de 1% a 2% das gestações, geralmente no segundo ou terceiro trimestre. O quadro clínico clássico envolve febre, calafrios, dor no flanco (Sinal de Giordano positivo) e, frequentemente, sintomas de cistite prévia. Devido às alterações imunológicas e anatômicas da gestante, a progressão para sepse é mais rápida do que na população geral. O manejo exige vigilância constante, pois a resposta inflamatória sistêmica pode desencadear contratilidade uterina. Após o tratamento da fase aguda, a gestante deve manter antibioticoterapia profilática até o final da gestação para evitar recidivas, que são frequentes e perigosas.
A gestação promove alterações fisiológicas como a dilatação dos ureteres (pela compressão uterina e ação da progesterona) e a redução do peristaltismo ureteral. Isso facilita a ascensão de bactérias da bexiga para os rins. Além disso, a glicosúria e a alteração do pH urinário favorecem o crescimento bacteriano, transformando bacteriúrias assintomáticas em infecções graves rapidamente.
A conduta inclui internação hospitalar obrigatória, coleta de urocultura e hemoculturas, início de antibioticoterapia intravenosa (como Ceftriaxone ou Cefalotina), hidratação vigorosa e monitorização rigorosa dos sinais vitais maternos e do bem-estar fetal. O tratamento oral só deve ser considerado após 24-48 horas de melhora clínica e apirexia.
As complicações são graves e incluem o trabalho de parto prematuro, a ruptura prematura de membranas, a restrição de crescimento fetal e o baixo peso ao nascer. Materno-fetalmente, há risco de anemia, insuficiência respiratória (SDRA), sepse e choque séptico, além de abscesso renal em casos não responsivos ao tratamento inicial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo