Pielonefrite Gestacional: Diagnóstico e Tratamento Seguro

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 24 anos, G2P0A1, com gestação de 27 semanas, procura pronto atendimento devido urgência miccional, disúria e "cheiro forte na urina" há cerca de 5 dias e dor lombar à direita há 1 dia. A gestante relata episódios prévios de "cistite" tratados com antibióticos variados. Ela havia sido atendida em unidade básica de saúde há 2 dias, quando recebeu a prescrição de norfloxacina. Relata que não apresentou melhora do quadro e houve evolução para importante astenia. Ao exame físico: temperatura 38,8ºC, descorada (+/4+), Giordano positivo à direita. Restante do exame físico geral e obstétrico normal. Qual alternativa é mais adequada após internação dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Prescrever cefuroxima no lugar da Norfloxacina e solicitar ultrassonografia renal e de vias urinárias.
  2. B) Continuar o tratamento com a Norfloxacina e solicitar urina tipo 1 e urocultura com antibiograma.
  3. C) Suspender a Norfloxacina e solicitar urocultura com antibiograma para reiniciar tratamento orientado por cultura.
  4. D) Solicitar o parecer do urologista, interrompendo imediatamente o uso do antibiótico para aguardar a conduta do especialista.
  5. E) Solicitar ultrassonografia com doppler para avaliar possibilidade de interrupção da gestação.

Pérola Clínica

Pielonefrite gestacional: Norfloxacina contraindicada. Cefuroxima é opção segura. Sempre investigar trato urinário superior com USG.

Resumo-Chave

A paciente apresenta pielonefrite aguda na gestação, uma condição grave que exige internação e tratamento com antibióticos seguros para gestantes, como a cefuroxima. A norfloxacina é contraindicada. A ultrassonografia renal é essencial para descartar complicações como obstrução ou abscesso.

Contexto Educacional

A pielonefrite aguda na gestação é uma complicação séria que pode levar a resultados adversos maternos e fetais, como parto prematuro, baixo peso ao nascer, sepse materna e insuficiência respiratória. É mais comum no segundo e terceiro trimestres, devido a alterações fisiológicas da gravidez que favorecem a estase urinária e o refluxo vesicoureteral. O diagnóstico é clínico, com febre, dor lombar e sintomas urinários, e confirmado por urocultura. O tratamento da pielonefrite gestacional exige internação hospitalar e antibioticoterapia intravenosa empírica, que deve ser segura para a gestante e o feto. Cefalosporinas de segunda ou terceira geração (como cefuroxima ou ceftriaxona) são frequentemente as escolhas iniciais. É fundamental suspender antibióticos contraindicados na gestação, como as fluoroquinolonas (ex: norfloxacina), devido aos riscos de teratogenicidade. Além da antibioticoterapia, a investigação do trato urinário superior com ultrassonografia renal e de vias urinárias é essencial para descartar complicações obstrutivas, como hidronefrose grave ou litíase, que podem exigir drenagem. A melhora clínica geralmente ocorre em 48-72 horas, e o tratamento deve ser continuado por 10-14 dias, seguido de profilaxia antibiótica até o parto em muitos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de pielonefrite na gestação?

Os sinais e sintomas incluem febre, calafrios, dor lombar (geralmente unilateral, com Giordano positivo), disúria, urgência miccional e náuseas/vômitos.

Quais antibióticos são seguros para tratar pielonefrite em gestantes?

Antibióticos seguros incluem cefalosporinas (como cefuroxima, ceftriaxona), ampicilina/sulbactam e aztreonam. As fluoroquinolonas (como norfloxacina) são contraindicadas.

Por que a ultrassonografia renal é importante na pielonefrite gestacional?

A ultrassonografia renal é crucial para avaliar o trato urinário superior, identificar possíveis complicações como hidronefrose (comum na gravidez, mas pode ser patológica), abscesso renal ou litíase, que podem exigir intervenção.

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