UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Primigesta, 24a, idade gestacional de 28 semanas, comparece à consulta de pré-natal referindo dor em baixo ventre, associada à sensação de calafrio e mal-estar, há três dias. Refere inapetência e vômito há um dia. Nega disúria ou alteração de coloração da urina. Refere hábito urinário aumentado desde o início da gestação. Exame físico: bom estado geral; descorada +/4+; desidratada +/4+; anictérica; acianótica; T=38,3°C; PA=92x62mmHg; FC=125bpm; FR=18irpm. Cardiopulmonar: bulhas rítmicas normofonéticas; murmúrio vesicular presente e sem ruídos adventícios. Abdome: gravídico, tônus normal, batimentos cardíacos fetais=165bpm; altura uterina=28cm, dinâmica uterina= ausente, movimentos fetais=presentes. Sinal de Giordano presente à direita. QUAL A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA?
Gestante com febre, dor lombar e Giordano + → Pielonefrite aguda, mesmo sem disúria.
Pielonefrite aguda é a infecção urinária mais grave na gestação, podendo levar a sepse materna e parto prematuro. A ausência de disúria não exclui o diagnóstico, e o sinal de Giordano é um achado chave. O manejo é hospitalar com antibioticoterapia.
A pielonefrite aguda é a infecção urinária mais grave que pode ocorrer durante a gestação, representando um risco significativo para a mãe e o feto. Sua incidência é maior no segundo e terceiro trimestres, e a apresentação clínica pode ser atípica, com ausência de disúria, mas frequentemente com febre, calafrios, dor lombar e sinal de Giordano positivo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar complicações. A fisiopatologia envolve a estase urinária fisiológica da gravidez, a dilatação do trato urinário e a compressão ureteral pelo útero gravídico, facilitando a ascensão bacteriana. O diagnóstico é clínico, laboratorial (urocultura, hemograma, PCR) e, em casos selecionados, ultrassonografia renal. A suspeita deve ser alta em gestantes com febre e dor lombar, mesmo sem sintomas urinários baixos. O tratamento é hospitalar, com hidratação venosa e antibioticoterapia empírica intravenosa, como cefalosporinas de terceira geração ou ampicilina/sulbactam, ajustada após os resultados da urocultura. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a falta de intervenção pode levar a sepse, choque séptico, insuficiência renal e parto prematuro.
Os sinais incluem febre, dor lombar (especialmente com sinal de Giordano positivo), calafrios, mal-estar, náuseas e vômitos. Disúria pode estar ausente, tornando a apresentação atípica.
A conduta inicial é a internação hospitalar, coleta de urocultura e hemocultura, e início imediato de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, como cefalosporinas de terceira geração.
As complicações incluem sepse materna, insuficiência respiratória aguda, anemia, disfunção renal e, para o feto, parto prematuro e baixo peso ao nascer, exigindo monitoramento rigoroso.
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