Pielonefrite com Choque Séptico: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 32 anos, previamente hígida, apresenta quadro de disúria, polaciúria, urgência miccional e dor lombar esquerda há 3 dias, sem outras queixas genito-urinárias. Vem tomando analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides, porém sem melhora. No 4º dia, evoluiu com febre, calafrios, náuseas e vômitos, piora da lombalgia esquerda e astenia intensa. Foi levada ao pronto-socorro pelo seu esposo. Ao exame, temperatura axilar de 38,3 °C; frequência cardíaca de 110 bpm; frequência respiratória de 32 irpm; pressão arterial de 70 x 40 mmHg; saturação de O₂ de 96% em ar ambiente. Consciente e orientada, corada, desidratada (+/4+), acianótica, anictérica. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdome doloroso em flanco esquerdo e hipogástrio. Sinal de Giordano positivo à esquerda. Extremidades sem alterações. Realizou exame de imagem que descartou a presença de cálculos urinários. Com base no diagnóstico mais provável, qual é a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Controle da dor e da febre e encaminhamento ao ambulatório de urologia para investigação e conduta específica.
  2. B) Expansão volêmica com cristaloides, solicitação de culturas de sangue e urina e início precoce de antibioticoterapia.
  3. C) Tratamento empírico de gonorreia, solicitação de sorologias para HIV, sífilis e hepatites virais e notificação do caso.
  4. D) Alta hospitalar com prescrição de hidratação e antibioticoterapia empírica via oral e acompanhamento ambulatorial.

Pérola Clínica

Pielonefrite com hipotensão/sinais de choque → Sepse urogenital = Iniciar expansão volêmica, culturas e ATB empírico IV imediatamente.

Resumo-Chave

Pacientes com pielonefrite que evoluem com sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, taquicardia e taquipneia, devem ser tratados como sepse de foco urinário; a conduta inicial inclui expansão volêmica agressiva com cristaloides, coleta de culturas de sangue e urina, e início precoce de antibioticoterapia empírica intravenosa. A demora no tratamento pode levar a desfechos graves.

Contexto Educacional

A pielonefrite aguda é uma infecção bacteriana do parênquima renal e do sistema coletor. Embora frequentemente tratada ambulatorialmente, a evolução para sepse e choque séptico é uma complicação grave que exige reconhecimento e intervenção imediatos. A apresentação clínica com febre, calafrios, dor lombar e sintomas urinários baixos, seguida por sinais de instabilidade hemodinâmica, é um alerta para a necessidade de internação e manejo agressivo. A conduta inicial em casos de sepse de foco urinário, como o descrito, é crucial e segue os princípios gerais do manejo da sepse: ressuscitação volêmica com cristaloides para restaurar a perfusão tecidual, coleta de culturas (sangue e urina) antes do início dos antibióticos para guiar a terapia, e administração precoce de antibioticoterapia empírica de amplo espectro por via intravenosa. A identificação e tratamento da fonte da infecção, como a desobstrução de um trato urinário obstruído, também são fundamentais. A monitorização contínua dos sinais vitais, débito urinário e parâmetros laboratoriais (lactato, função renal) é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e ajustar a conduta conforme necessário. A falha em reconhecer e tratar prontamente a sepse pode levar a disfunção de múltiplos órgãos e aumento da mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para choque séptico em pielonefrite?

Choque séptico é diagnosticado pela presença de sepse e hipotensão persistente que requer vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg, e lactato sérico > 2 mmol/L após ressuscitação volêmica adequada.

Qual a antibioticoterapia empírica inicial para pielonefrite com sepse?

A escolha empírica deve cobrir Gram-negativos, como cefalosporinas de terceira geração (ceftriaxona) ou piperacilina-tazobactam, considerando o perfil de resistência local e a gravidade do quadro.

Quando considerar imagem em pielonefrite aguda?

Imagem (TC ou ultrassom) é indicada em casos de evolução desfavorável, suspeita de obstrução do trato urinário, abscesso renal ou perirrenal, ou em pacientes com sepse e fatores de risco.

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