Pielonefrite Aguda: Achados na TC e Manejo Clínico

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 30 anos, sexo feminino, apresenta-se ao hospital com disúria, polaciúria e incontinência urinária há 4 dias, tendo feito uso de fosfomicina dose única no início do quadro, mas sem resposta clínica satisfatória. Procura o hospital apresentando quadro de febre de 38,5°C e dor lombar, além de vômitos e queda do estado geral. Exame físico demonstra sinal de Giordano positivo, além de paciente em regular estado geral, sem alteração de sinais vitais, lúcida e orientada em tempo e espaço. Realizada tomografia com contraste de abdome, com realce heterogêneo do parênquima renal, com áreas hipocaptantes do meio de contraste venoso, sem sinais de obstrução do trato urinário. Nega internações recentes e o uso de outros antibióticos, além do previamente prescrito. Assinale a alternativa adequada para manejo do quadro citado.

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar protocolo de sepse, com infusão de solução cristaloide 30 a 40ml/kg, iniciar meropenem, coletar uroculturas e iniciar drogavasoativa de pressão arterial média for inferior a 65mmHg.
  2. B) Devido ao achado tomográfico, sugere-se iniciar esquema antibiótico de maior espectro, como piperacilina e tazobactan nesse momento, podendo alterar esquema conforme resultados de urocultura.
  3. C) O achado descrito no laudo da tomografia é o nefrograma estriado. O exame contrastado é mais indicado para avaliar complicações decorrentes da infecção.
  4. D) Pode-se repetir a fosfomicina nesse caso e, caso seja refratário, iniciar uma cefalosporina de terceira geração, como a ceftriaxona.

Pérola Clínica

Pielonefrite complicada + febre + dor lombar + vômitos + Giordano + nefrograma estriado → internação e ATB IV.

Resumo-Chave

O nefrograma estriado na TC com contraste é um achado clássico da pielonefrite aguda, indicando áreas de necrose tubular ou edema, e sugere a necessidade de tratamento hospitalar com antibióticos de amplo espectro.

Contexto Educacional

A pielonefrite aguda é uma infecção bacteriana do parênquima renal e do sistema coletor, sendo uma forma grave de infecção do trato urinário (ITU). É mais comum em mulheres e pode levar a sepse se não tratada adequadamente. A apresentação clínica típica inclui febre, dor lombar, disúria e sintomas sistêmicos. Em casos de falha terapêutica inicial ou apresentação mais grave, como a descrita, a investigação por imagem é crucial. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha, podendo revelar o 'nefrograma estriado', que são áreas hipocaptantes ou estrias no parênquima renal, indicativas de inflamação e edema. Este achado confirma o envolvimento parenquimatoso. O manejo da pielonefrite complicada ou com falha terapêutica requer internação hospitalar e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, ajustada conforme a urocultura. A avaliação de complicações como abscesso renal ou obstrução é essencial para guiar a conduta e evitar desfechos desfavoráveis, como a sepse.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de pielonefrite aguda?

Pielonefrite aguda manifesta-se com febre, calafrios, dor lombar (sinal de Giordano positivo), disúria, polaciúria, náuseas e vômitos, e mal-estar geral, indicando infecção do trato urinário superior.

Qual a importância do nefrograma estriado na tomografia?

O nefrograma estriado é um achado típico da pielonefrite aguda na TC com contraste, indicando áreas de hipoperfusão ou edema renal, e confirma o diagnóstico de infecção parenquimatosa, guiando a conduta.

Quando a pielonefrite é considerada complicada?

A pielonefrite é complicada na presença de fatores como obstrução do trato urinário, anomalias estruturais, diabetes, imunossupressão, falha terapêutica inicial ou achados de imagem sugestivos de abscesso ou necrose.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo