UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024
Paciente do sexo feminino de 30 anos, moradora de zona rural, iniciou dor lombar à esquerda com irradiação para fossa ilíaca do mesmo lado. Associado apresentou vômitos, polaciúria e disúria. A dor foi tipo cólica de forte intensidade e, após o primeiro dia, surgiu febre. A paciente só conseguiu acesso ao serviço de saúde no terceiro dia de evolução. Ao exame físico, foi observado: FC 130 bpm, FR 32 rpm, PA 80/40 mmHg, abdome plano, flácido com dor em flanco esquerdo e fossa ilíaca esquerda, mas sem sinais de peritonite. Blumberg negativo. Giordano positivo à esquerda. O EAS (urina tipo1) evidência mais de 1 milhão de leucócitos/mm³ com nitrito positivo. O hemograma apresentou com 20.000 leucócitos/mm³ com 9% de bastões e 1% de metamielócitos. Sobre o caso, assinale a afirmativa INCORRETA.
Pielonefrite com sinais de sepse/choque → exames de imagem são necessários para avaliar complicações.
Pacientes com pielonefrite e sinais de sepse ou choque séptico requerem exames de imagem (como ultrassonografia ou tomografia) para investigar complicações como obstrução urinária, abscesso renal ou necrose papilar, que podem exigir intervenção adicional e impactar o tratamento.
A pielonefrite aguda é uma infecção bacteriana do parênquima renal e do sistema coletor, que pode variar de um quadro leve a uma condição grave com sepse e choque. Em pacientes com sinais de sepse, como os apresentados no caso (FC 130 bpm, FR 32 rpm, PA 80/40 mmHg, leucocitose com desvio à esquerda), a infecção urinária alta é o foco provável. O diagnóstico de sepse é clínico e laboratorial, baseado na disfunção orgânica. A presença de hipotensão (PA 80/40 mmHg) indica choque séptico. Nesses casos, a conduta inicial é prioritária e inclui reposição volêmica com cristaloides e antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, visando estabilizar o paciente e combater a infecção. Contrariamente à afirmativa incorreta, exames de imagem são essenciais em pielonefrite complicada ou com sepse. Eles permitem identificar fatores complicadores como obstrução do trato urinário (cálculos), abscessos renais ou perirrenais, ou outras anomalias anatômicas que podem exigir drenagem ou intervenção cirúrgica, e que impactam diretamente o manejo e o prognóstico do paciente.
Sepse é diagnosticada pela presença de disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Critérios como SOFA score ou qSOFA (alteração do estado mental, FR ≥ 22, PAS ≤ 100 mmHg) podem ser usados para triagem.
Exames de imagem (USG, TC) são indicados em pielonefrite quando há falha terapêutica após 48-72h de antibióticos, suspeita de obstrução urinária, urolitíase, diabetes, imunossupressão, ou sinais de pielonefrite complicada/sepse.
A conduta inicial inclui reposição volêmica agressiva com cristaloides, início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro por via endovenosa, e suporte hemodinâmico com vasopressores se necessário, além da investigação e controle do foco infeccioso.
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