INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Primigesta, com 23 anos de idade, 27 semanas de gestação, procura serviço de urgência relatando que, há dois dias, apresenta dor na região lombar à direita. Relata, ainda, que há um dia vem se sentindo muito mal, com calafrios e náuseas. Hoje, pela manhã, apresentou febre de 38,5ºC, tendo feito uso de antitérmico. Ao exame físico: estado geral regular; descorada +/4+; levemente desidratada; afebril, eupneica; frequência cardíaca de 104 bpm; Pressão arterial = 110 x 70 mmHg. Relatou dor intensa à punho percussão na região lombar direita. Ao exame obstétrico: altura uterina de 28 cm, 156 batimentos cardíacos fetais por minuto, movimentos fetais presentes, ausência de contrações uterinas. Qual a conduta a ser tomada?
Pielonefrite na gestação = Internação hospitalar + Hidratação + Antibiótico EV.
A pielonefrite é uma urgência na gestação devido ao alto risco de sepse materna, insuficiência respiratória e parto prematuro, exigindo sempre tratamento hospitalar.
A pielonefrite ocorre em cerca de 1-2% das gestações e é a causa não obstétrica mais comum de hospitalização durante o período gravídico. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em febre, calafrios, dor lombar e sinal de Giordano positivo. O manejo agressivo com hidratação venosa é crucial, pois essas pacientes frequentemente apresentam desidratação e risco de lesão renal aguda. A monitorização da função respiratória é vital, visto que a pielonefrite na gestação é um fator de risco conhecido para a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) mediada por endotoxinas.
A pielonefrite aguda está associada a um aumento significativo no risco de trabalho de parto prematuro e ruptura prematura de membranas, provavelmente devido à liberação de citocinas inflamatórias e endotoxinas bacterianas que estimulam a contratilidade uterina. Além disso, pode haver repercussões indiretas por conta da febre materna e instabilidade hemodinâmica.
Os esquemas iniciais geralmente envolvem cefalosporinas de segunda ou terceira geração (como Cefuroxima ou Ceftriaxona) ou ampicilina associada a gentamicina. A escolha deve considerar o perfil de resistência local e ser ajustada após o resultado da urocultura com antibiograma. O tratamento deve ser mantido por via parenteral até que a paciente esteja afebril por 24-48 horas.
Existem fatores mecânicos e hormonais. A progesterona causa relaxamento da musculatura lisa dos ureteres, levando à hidroureteronefrose fisiológica. Além disso, o útero gravídico comprime os ureteres (especialmente à direita), causando estase urinária. Essas alterações facilitam a ascensão de bactérias da bexiga para os rins.
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