UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 20 anos, comparece ao prontoatendimento com queixa de disúria, febre e dor lombar há 2 dias. Apresentava-se em regular estado geral, oximetria 94% em ar ambiente, pressão arterial 90 x 70mmHg (PAM 76mmHg), febril no momento da avaliação, com disúria mantida. Exame de urina demonstra leucocitúria importante, com nitrito positivo e bactérias frequentes. Ultrassom de rins e vias urinárias não demonstrava sinais de complicação. Qual deve ser o esquema antibiótico proposto neste momento?
Pielonefrite aguda não complicada com sinais de sepse leve/moderada → Ceftriaxone IV.
A paciente apresenta quadro clínico e laboratorial sugestivo de pielonefrite aguda. Embora a pressão arterial esteja limítrofe, a PAM de 76mmHg e a oximetria de 94% não indicam choque séptico grave, mas sim uma infecção que requer tratamento parenteral inicial. Ceftriaxone é uma boa escolha empírica para pielonefrite não complicada com necessidade de internação.
A pielonefrite aguda é uma infecção bacteriana do parênquima renal e do sistema coletor, sendo uma forma mais grave de infecção do trato urinário (ITU). É mais comum em mulheres jovens e sua importância reside no risco de progressão para sepse, abscesso renal ou outras complicações sérias se não tratada adequadamente. O residente deve estar apto a reconhecer rapidamente o quadro e iniciar a terapia correta. O quadro clínico típico inclui febre, calafrios, dor lombar (punho-percussão positiva), disúria, urgência e frequência urinária, náuseas e vômitos. O diagnóstico é confirmado por exame de urina (leucocitúria, nitrito positivo, bactérias) e urocultura. A avaliação da estabilidade hemodinâmica e a presença de sinais de sepse são cruciais para definir a conduta. A paciente do caso, apesar da PA limítrofe, não apresenta choque, mas a febre e a dor lombar indicam ITU alta. O tratamento empírico deve ser iniciado prontamente após a coleta de urocultura. Para pielonefrite aguda que requer internação (como no caso, devido à febre e dor lombar com PAM limítrofe, sugerindo necessidade de ATB parenteral inicial), a Ceftriaxone (uma cefalosporina de terceira geração) é uma excelente escolha empírica devido à sua ampla cobertura contra uropatógenos comuns e boa penetração renal. Outras opções incluem aminoglicosídeos ou fluoroquinolonas, dependendo da epidemiologia local e alergias do paciente. Meropenem e Piperacilina-Tazobactan são reservados para casos mais graves ou com suspeita de resistência.
A internação para pielonefrite é indicada para pacientes com sepse, instabilidade hemodinâmica, incapacidade de tolerar medicação oral, dor intensa, gravidez, comorbidades descompensadas (diabetes, imunossupressão), obstrução do trato urinário ou falha do tratamento ambulatorial.
A duração do tratamento antibiótico para pielonefrite aguda geralmente varia de 7 a 14 dias, dependendo do antibiótico utilizado, da gravidade da infecção e da resposta clínica do paciente. Para fluoroquinolonas, 5-7 dias podem ser suficientes em casos não complicados.
Exames de imagem (ultrassom, tomografia) são indicados em ITU febril que não responde ao tratamento em 48-72h, em casos de pielonefrite complicada, suspeita de obstrução urinária, cálculos, ou em pacientes com ITU de repetição para investigar anomalias anatômicas.
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