Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022
Menina, 4 anos de idade, tem febre medida em 38 a 38,5 ºC há 3 dias. Queixa-se de dor abdominal e de ardor ao urinar. Há 2 dias tem náuseas, vômitos e reduziu a aceitação alimentar. Ao exame está afebril, prostrada, toxemiada, corada e hidratada, sem outras alterações. Realizada avaliação laboratorial com os seguintes resultados: Hb 12,7 g/dL, Ht 39%, 18200 leucócitos (3% bastões, 59% neutrófilos, 1% eosinófilos, 0% basófilos, 26% linfócitos e 10% monócitos) e PCR 30 mg/ dL. Urina I: pH 6, densidade 1025, 60000 leucócitos, 28000 hemácias, nitrito positivo, proteínas 1+, presença de cilindros granulosos e células epiteliais. O diagnóstico provável do quadro apresentado é
Criança com ITU febril, sintomas sistêmicos e cilindros granulosos na urina → Pielonefrite.
A presença de febre, sintomas sistêmicos (prostração, toxemia, vômitos) e achados urinários como nitrito positivo, leucocitúria e, especialmente, cilindros granulosos, sugere fortemente uma infecção do trato urinário alto, ou seja, pielonefrite. Cilindros granulosos indicam envolvimento renal.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância. A pielonefrite aguda, uma forma de ITU alta que envolve o parênquima renal, é particularmente importante devido ao risco de cicatrizes renais e suas consequências a longo prazo, como hipertensão arterial e doença renal crônica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir essas complicações. Em crianças, os sintomas de pielonefrite podem ser inespecíficos, especialmente em lactentes, manifestando-se como febre sem foco aparente, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos e prostração. Em crianças maiores, dor abdominal ou lombar e disúria são mais evidentes. O diagnóstico é baseado na clínica, exames laboratoriais (leucocitose, PCR elevado) e, principalmente, na urinálise e urocultura. A presença de nitrito positivo, leucocitúria e, notavelmente, cilindros granulosos na urinálise, sugere fortemente pielonefrite, indicando inflamação e lesão tubular renal. O manejo da pielonefrite pediátrica envolve antibioticoterapia empírica intravenosa inicial, seguida por via oral, com duração total de 7 a 14 dias. A investigação de anomalias do trato urinário, como refluxo vesicoureteral, é recomendada após o primeiro episódio de pielonefrite em crianças pequenas, através de ultrassonografia renal e vesical e, em alguns casos, uretrocistografia miccional. Residentes devem estar atentos aos sinais de alarme para pielonefrite, garantindo um tratamento rápido e a investigação apropriada.
Os sinais incluem febre alta, dor abdominal ou lombar, náuseas, vômitos, prostração e, em lactentes, irritabilidade e recusa alimentar.
A presença de cilindros granulosos na urinálise é um forte indicativo de envolvimento do parênquima renal, diferenciando a pielonefrite de infecções do trato urinário inferior.
A cistite geralmente apresenta sintomas urinários baixos (disúria, polaciúria) sem febre ou sintomas sistêmicos, enquanto a pielonefrite cursa com febre, toxemia e marcadores inflamatórios elevados.
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