HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Mulher, 25 anos, comparece à unidade de saúde com queixa de disúria, polaciúria, hematúria e dor suprapúbica há cinco dias. Nega corrimento vaginal ou relação sexual desprotegida. Diz que hoje acordou mais prostrada, febril e com dor lombar. Nega doenças prévias e relata ter tido um episódio de cistite há menos de 6 meses. A propósito deste caso, afirma-se: I. A profilaxia para infecção do trato urinário recorrente está indicada. II. As fluorquinilonas são a classe de antimicrobianos recomendada. III. O exame de urina com fita reagente durante a consulta está indicado. Está/Estão correta(s) apena(s) a(s) afirmativa(s)
Pielonefrite aguda em mulher jovem com ITU recorrente → iniciar ATB empírico (fluoroquinolona) + considerar profilaxia.
A paciente apresenta sintomas clássicos de pielonefrite aguda (febre, dor lombar, prostração) sobrepostos a um quadro de cistite. O histórico de cistite há menos de 6 meses configura ITU recorrente, indicando a necessidade de profilaxia. As fluoroquinolonas são uma classe de antimicrobianos recomendada para o tratamento empírico da pielonefrite.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns, especialmente em mulheres. A diferenciação entre cistite (infecção do trato urinário inferior) e pielonefrite (infecção do trato urinário superior, envolvendo os rins) é crucial para o manejo adequado. A pielonefrite é uma condição mais grave, que pode levar a sepse e dano renal se não tratada prontamente. No caso apresentado, a paciente evoluiu de sintomas de cistite para um quadro sistêmico com febre, prostração e dor lombar, o que é altamente sugestivo de pielonefrite aguda. Além disso, o histórico de cistite recente (há menos de 6 meses) classifica o quadro como ITU recorrente, o que justifica a indicação de profilaxia após o tratamento da infecção aguda. O tratamento empírico da pielonefrite aguda em pacientes sem fatores de risco para resistência e que podem ser tratados ambulatorialmente frequentemente inclui fluoroquinolonas, devido à sua eficácia e boa farmacocinética. O exame de urina com fita reagente é útil para triagem, mas não substitui a urocultura para confirmação diagnóstica e antibiograma, especialmente em casos de pielonefrite ou ITU recorrente.
A cistite geralmente se manifesta com disúria, polaciúria, urgência e dor suprapúbica. A pielonefrite, além desses sintomas, apresenta sinais sistêmicos como febre, calafrios, prostração e dor lombar (sinal de Giordano positivo).
A profilaxia é indicada em mulheres com dois ou mais episódios de ITU em seis meses, ou três ou mais em um ano. Pode ser contínua, pós-coito ou autotratamento intermitente, dependendo do padrão das infecções.
As fluoroquinolonas, como ciprofloxacino ou levofloxacino, são eficazes contra os principais patógenos causadores de pielonefrite, têm boa penetração no tecido renal e podem ser administradas por via oral em casos selecionados, permitindo tratamento ambulatorial.
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