Phoenix Sepsis Score: Diagnóstico de Choque Séptico Pediátrico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina, 4a, está internada com pneumonia e derrame pleural, em máscara não reinalante de O2. Recebe vancomicina, ceftriaxone e dobutamina (5 microgramas/kg/minuto). Exame físico: sonolenta (Escala de coma de Glasgow = 14); FC = 118bpm; pulsos cheios, enchimento capilar = 2 segundos; PA = 80/45 mmHg; FR = 28irpm e tiragem subcostal leve. Exames laboratoriais: leucócitos = 22.000/mm³; plaquetas = 115.000/mm³; fibrinogênio = 130 mg/dL; lactato = 4 mmol/L. Considerando as informações clínicas e laboratoriais acima, qual dado define o diagnóstico de choque séptico, segundo o score phoenix de sepsis?

Alternativas

  1. A) Uso de droga vasoativa.
  2. B) Alteração neurológica (Escala de coma de Glasgow = 14).
  3. C) Dosagem do lactato.
  4. D) Dosagem do fibrinogênio.

Pérola Clínica

Choque Séptico (Phoenix) = Infecção + Disfunção Cardiovascular (Drogas Vasoativas ou Lactato ≥ 5).

Resumo-Chave

O Score Phoenix (2024) simplifica o diagnóstico de sepse pediátrica, definindo choque séptico pela necessidade de suporte vasoativo ou hiperlactatemia grave (≥ 5 mmol/L) em vigência de infecção.

Contexto Educacional

O Phoenix Sepsis Score foi desenvolvido para substituir os critérios de Goldstein de 2005, utilizando grandes bases de dados internacionais para validar critérios que melhor predizem a mortalidade em crianças com infecção. Ele foca em quatro sistemas principais: respiratório, cardiovascular, coagulação e neurológico. A grande mudança foi a objetividade: o choque séptico agora é uma definição estritamente cardiovascular dentro do espectro da sepse. Na prática clínica, a identificação precoce do choque permite a escalada rápida de terapias de suporte, como expansão volêmica parcimoniosa e início precoce de inotrópicos ou vasopressores. O reconhecimento de que o lactato deve estar significativamente elevado (≥ 5 mmol/L) para pontuar como disfunção cardiovascular ajuda a evitar diagnósticos falso-positivos de choque em estados de estresse metabólico leve.

Perguntas Frequentes

O que define choque séptico pelo Score Phoenix?

Segundo os critérios Phoenix publicados em 2024, o choque séptico em pediatria é definido pela presença de sepse (infecção suspeita ou confirmada com disfunção orgânica) associada especificamente a uma disfunção cardiovascular. Esta disfunção é caracterizada pela necessidade de qualquer dose de droga vasoativa (como dobutamina, adrenalina ou noradrenalina) para manter a pressão arterial ou por um nível de lactato sérico ≥ 5 mmol/L. No caso clínico apresentado, o uso de dobutamina preenche o critério cardiovascular, selando o diagnóstico de choque séptico.

Qual a diferença entre sepse e choque séptico no Phoenix?

A sepse é definida como uma infecção com uma pontuação Phoenix Sepsis Score ≥ 2 pontos, indicando disfunção orgânica com risco de vida (envolvendo sistemas respiratório, cardiovascular, de coagulação ou neurológico). O choque séptico é um subgrupo da sepse que apresenta disfunção cardiovascular grave. Enquanto a sepse pode ser pontuada por alterações em diversos sistemas, o choque exige obrigatoriamente o componente cardiovascular (vasoativos ou lactato elevado), refletindo um estado de hipoperfusão e falência circulatória mais crítico.

Por que o Glasgow 14 não define choque nesta questão?

Embora a alteração neurológica (como Glasgow < 15) conte pontos para o score total de sepse no sistema Phoenix, ela isoladamente não define o 'choque'. O choque é uma categoria específica de disfunção cardiovascular. No Phoenix, o sistema neurológico pontua a partir de Glasgow ≤ 14, mas isso contribui para o diagnóstico de 'sepse' (disfunção orgânica geral) e não especificamente para a definição de 'choque séptico', que é reservada para falência circulatória.

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