UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Menino, 2 meses de idade, nascido a termo, 3.750 g, Apgar 9/10, é trazido pela mãe que refere demora na cicatrização do coto umbilical, que caiu com um mês de vida. Apresenta saída recorrente de secreção achocolatada aerada pelo umbigo. Qual é o diagnóstico mais provável?
Saída de secreção entérica/aerada pelo umbigo = Persistência do Conduto Onfalomesentérico.
A falha na involução do ducto vitelino comunica o íleo terminal ao umbigo, resultando em drenagem de conteúdo fecalóide ou gasoso.
As anomalias do conduto onfalomesentérico ocorrem em cerca de 2% da população. A forma mais comum é o Divertículo de Meckel, mas a persistência completa do ducto manifesta-se precocemente no período neonatal ou lactente como uma fístula umbilical. A descrição de secreção 'achocolatada' e 'aerada' é patognomônica de conteúdo entérico, confirmando a conexão com a luz intestinal. O diagnóstico diferencial inclui o granuloma umbilical (massa avermelhada friável que responde ao nitrato de prata), a onfalite (infecção bacteriana com sinais inflamatórios sistêmicos) e as anomalias do úraco. A propedêutica pode incluir a fistulografia ou ultrassonografia, mas o quadro clínico clássico frequentemente direciona diretamente para a intervenção cirúrgica.
O conduto onfalomesentérico, ou ducto vitelino, é uma estrutura embrionária que conecta o saco vitelino ao intestino médio primitivo. Normalmente, ele se oblitera entre a 5ª e a 9ª semana de gestação. Quando essa involução falha, podem surgir diversas anomalias, como o divertículo de Meckel (mais comum), cistos vitelinos ou a persistência total do ducto (fístula onfalomesentérica).
A diferenciação é baseada no tipo de secreção. Na persistência do úraco, há uma comunicação com a bexiga, resultando na saída de urina (líquido claro e com odor característico) pelo umbigo. Na persistência do conduto onfalomesentérico, a comunicação é com o íleo, resultando em secreção entérica (escura, 'achocolatada', fecalóide ou com gases).
O tratamento é essencialmente cirúrgico. Devido ao risco de complicações como volvo de intestino delgado, intussuscepção ou infecções recorrentes, a ressecção do ducto persistente e o fechamento da comunicação intestinal são indicados logo após o diagnóstico, mesmo em pacientes assintomáticos.
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