UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
D.M.O. nasceu de parto natural com 30 semanas e 1100Kg, Apgar 8 e 9. Foi encaminhado à UTI neonatal onde evoluiu, com 6h de vida, com desconforto respiratório, sendo acoplado à VNI e realizado RX de tórax, apresentando infiltrado. Com 48h de vida foi realizado ecocardiograma que evidenciou PCA com repercussão. Quais achados corroboram com esse diagnóstico?
PCA com repercussão = aumento da amplitude dos pulsos periféricos, sopro contínuo, taquipneia, hiperfluxo pulmonar no RX.
A Persistência do Canal Arterial (PCA) com repercussão hemodinâmica em prematuros leva a um shunt esquerdo-direito, resultando em aumento do fluxo sanguíneo pulmonar e sobrecarga de volume no ventrículo esquerdo. Clinicamente, isso se manifesta por aumento da amplitude dos pulsos periféricos (pulsos amplos), taquicardia, taquipneia e sopro contínuo.
A Persistência do Canal Arterial (PCA) é uma das cardiopatias congênitas mais comuns em recém-nascidos prematuros, especialmente naqueles com baixo peso ao nascer. O canal arterial é uma estrutura vascular fetal que conecta a aorta à artéria pulmonar, desviando o sangue dos pulmões não funcionais. Após o nascimento, o canal normalmente se fecha espontaneamente nas primeiras horas ou dias de vida. No entanto, em prematuros, esse fechamento pode falhar devido à imaturidade e a fatores como hipóxia e uso de prostaglandinas. Quando o canal permanece aberto e há um shunt significativo da aorta para a artéria pulmonar (shunt esquerdo-direito), ocorre uma sobrecarga de volume no leito vascular pulmonar e no ventrículo esquerdo. Isso leva a manifestações clínicas como desconforto respiratório (taquipneia, aumento do trabalho respiratório), taquicardia, sopro contínuo e, classicamente, pulsos periféricos amplos e saltitantes devido à grande diferença entre a pressão sistólica e diastólica. O diagnóstico é confirmado pelo ecocardiograma, que visualiza o canal e avalia a repercussão hemodinâmica. O manejo da PCA com repercussão pode incluir restrição hídrica, diuréticos e, em casos selecionados, tratamento farmacológico com indometacina ou ibuprofeno para promover o fechamento do canal. Se o tratamento farmacológico falhar ou for contraindicado, a intervenção cirúrgica ou por cateterismo pode ser necessária. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações como hipertensão pulmonar, enterocolite necrosante e displasia broncopulmonar, melhorando o prognóstico desses pacientes vulneráveis.
Os principais achados clínicos incluem aumento da amplitude dos pulsos periféricos (pulsos amplos e saltitantes), sopro contínuo (em 'maquinaria') audível na borda esternal superior, taquicardia, taquipneia, aumento do trabalho respiratório e, em casos graves, sinais de insuficiência cardíaca congestiva.
O ecocardiograma é o padrão-ouro para o diagnóstico da PCA, permitindo visualizar diretamente o canal, medir seu diâmetro, avaliar a direção e magnitude do shunt (geralmente esquerdo-direito), e quantificar a repercussão hemodinâmica, como dilatação de câmaras cardíacas e hipertensão pulmonar.
O padrão radiológico esperado em um prematuro com PCA com repercussão é o de hiperfluxo pulmonar, caracterizado por aumento da trama vascular pulmonar, cardiomegalia (especialmente de câmaras esquerdas) e, em casos de insuficiência cardíaca, edema pulmonar intersticial ou alveolar.
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