CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Um recém-nascido prematuro apresenta sopro cardíaco contínuo e sinais de dificuldade respiratória. A ecocardiografia confirma persistência do canal arterial. Qual é o tratamento inicial recomendado?
PCA em prematuro sintomático → Inibidores da COX (Ibuprofeno ou Indometacina).
O fechamento farmacológico com inibidores de prostaglandinas é a primeira linha para tratar a persistência do canal arterial (PCA) sintomática em prematuros.
A Persistência do Canal Arterial (PCA) é uma das complicações mais frequentes na UTI neonatal, afetando especialmente prematuros de muito baixo peso. O manejo evoluiu de uma abordagem agressiva para uma mais conservadora e individualizada. O tratamento farmacológico com inibidores da COX (Indometacina ou Ibuprofeno) apresenta alta taxa de sucesso. O Paracetamol tem surgido como uma alternativa promissora com menor perfil de efeitos colaterais renais e gastrointestinais, embora ainda exija mais estudos para ser a primeira linha absoluta.
O canal arterial é mantido pérvio in utero por altos níveis de prostaglandinas (especialmente PGE2) e baixa tensão de oxigênio. Após o nascimento, a queda das prostaglandinas e o aumento do oxigênio promovem o fechamento. Em prematuros, esse mecanismo falha. Medicamentos como Indometacina e Ibuprofeno inibem a enzima ciclo-oxigenase (COX), reduzindo a síntese de prostaglandinas e estimulando a contração da musculatura lisa do canal, levando ao seu fechamento funcional e anatômico.
As principais contraindicações incluem insuficiência renal aguda (oligúria ou creatinina elevada), enterocolite necrotizante ativa ou suspeita, distúrbios de coagulação com sangramento ativo (como hemorragia intracraniana grau III ou IV) e trombocitopenia grave. Nesses casos, se o fechamento do canal for hemodinamicamente necessário, pode-se considerar o uso de paracetamol ou, em última instância, a ligadura cirúrgica.
Uma PCA é significativa quando causa sinais de insuficiência cardíaca congestiva, dificuldade de desmame do ventilador, pulsos amplos, sopro contínuo e evidências ecocardiográficas de shunt esquerda-direita importante (como relação átrio esquerdo/aorta > 1.5 ou fluxo reverso na aorta descendente). O tratamento visa prevenir complicações como hemorragia pulmonar, displasia broncopulmonar e piora da função renal.
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