PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Em relação à persistência do canal arterial em neonatos, assinale a alternativa ERRADA:
Prostaglandinas MANTÊM o canal aberto; O2 e queda de PGE2 FECHAM o canal.
O fechamento do canal arterial no recém-nascido é mediado pelo aumento da pressão parcial de oxigênio e pela redução drástica dos níveis circulantes de prostaglandinas após o nascimento.
A transição da circulação fetal para a neonatal envolve mudanças pressóricas e bioquímicas complexas. O canal arterial é um shunt essencial no feto, desviando o sangue do ventrículo direito para a aorta, contornando os pulmões colapsados. O fechamento funcional ocorre nas primeiras 12 a 48 horas de vida em neonatos a termo. Fatores que retardam o fechamento incluem a hipóxia (que mantém a vasodilatação ductal) e a prematuridade. Clinicamente, a persistência do canal arterial (PCA) pode levar a hiperfluxo pulmonar e insuficiência cardíaca. O conhecimento de que as prostaglandinas mantêm o canal aberto é aplicado terapeuticamente: usamos Alprostadil (PGE1) para manter o canal aberto em cardiopatias congênitas ducto-dependentes e inibidores da síntese de prostaglandinas para fechá-lo.
Durante a vida fetal, o canal arterial é mantido aberto (pérvio) por altos níveis de prostaglandinas circulantes, especialmente a Prostaglandina E2 (PGE2), produzida pela placenta e pelo próprio ducto em ambiente de baixa oxigenação. Após o nascimento, com a remoção da placenta e o início da função pulmonar (que metaboliza a PGE2), os níveis de prostaglandinas caem bruscamente, o que é um estímulo fundamental para a contração da musculatura lisa do ducto e seu fechamento funcional.
O aumento da pressão parcial de oxigênio arterial (PaO2) que ocorre com as primeiras respirações do recém-nascido é o principal estímulo pós-natal para o fechamento do canal arterial. O oxigênio atua diretamente nos canais de potássio sensíveis à voltagem na musculatura lisa do ducto, levando ao influxo de cálcio e contração muscular. Em prematuros, essa sensibilidade ao oxigênio é menor, o que explica a maior incidência de PCA nessa população.
Recém-nascidos prematuros apresentam maior incidência de persistência do canal arterial devido à imaturidade estrutural da musculatura do ducto e à menor sensibilidade aos estímulos de constrição (como o oxigênio). Além disso, o pulmão prematuro é menos eficiente em degradar as prostaglandinas circulantes. Quanto menor a idade gestacional, maior a probabilidade de o canal permanecer aberto, podendo necessitar de intervenção farmacológica com inibidores da COX (indometacina ou ibuprofeno).
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