Persistência do Canal Arterial em Prematuros: Manejo

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

Recém-nascido prematuro de 1,4 kg com 3 dias de vida, passou a apresentar taquidispneia, sudorese fria e palidez cutâneo-mucosa. Mãe refere que realizou apenas um exame de ultrassonografia durante seu pré-natal, que evidenciou feto com edema facial, ascite e derrame pericárdio. Assinale a assertiva que contém a alteração cardíaca mais comum nesses indivíduos e o seu tratamento.

Alternativas

  1. A) Persistência do canal arterial, tratamento clínico com indometacina. 
  2. B) Coarctação de aorta, tratamento clínico com prostaglandina E1.
  3. C) Comunicação intratrial, tratamento cirúrgico eletivo.
  4. D) Persistência do canal arterial, tratamento cirúrgico de urgência.
  5. E) Coarctação de aorta, tratamento cirúrgico de urgência.

Pérola Clínica

PCA é comum em prematuros, especialmente com hidropsia; tratamento inicial com indometacina/ibuprofeno.

Resumo-Chave

A persistência do canal arterial (PCA) é a cardiopatia congênita mais comum em prematuros, especialmente naqueles com hidropsia fetal. O tratamento clínico com inibidores da ciclooxigenase, como indometacina ou ibuprofeno, é a primeira linha para promover o fechamento do canal.

Contexto Educacional

A persistência do canal arterial (PCA) é uma das cardiopatias congênitas mais frequentes, especialmente em recém-nascidos prematuros, sendo inversamente proporcional à idade gestacional. Em fetos com hidropsia, a PCA pode ser um achado associado à sobrecarga de volume. A importância clínica reside na sobrecarga hemodinâmica que pode causar insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar e comprometer a função pulmonar. Fisiologicamente, o canal arterial é um vaso que conecta a aorta à artéria pulmonar no feto, desviando o sangue dos pulmões não funcionais. Após o nascimento, o aumento da PaO2 e a diminuição das prostaglandinas levam ao seu fechamento funcional. Em prematuros, a imaturidade e a menor sensibilidade à PaO2, além de níveis elevados de prostaglandinas, podem impedir esse fechamento. O diagnóstico é feito por ecocardiograma, que avalia o tamanho do shunt e suas repercussões. O tratamento da PCA em prematuros é inicialmente clínico, visando o fechamento farmacológico. A indometacina e o ibuprofeno, ambos inibidores da ciclooxigenase, são as drogas de escolha, pois reduzem a síntese de prostaglandinas. Em casos de falha do tratamento clínico, contraindicações aos AINEs ou repercussão hemodinâmica grave, o tratamento cirúrgico (ligadura do canal arterial) pode ser indicado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da persistência do canal arterial em prematuros?

Prematuros com PCA podem apresentar taquidispneia, sudorese fria, palidez cutâneo-mucosa, pulsos amplos, sopro contínuo em "maquinaria" e sinais de insuficiência cardíaca congestiva, como hepatomegalia e má perfusão.

Por que a indometacina é usada no tratamento da persistência do canal arterial?

A indometacina é um inibidor da ciclooxigenase (AINE) que reduz a produção de prostaglandinas, substâncias que mantêm o canal arterial aberto. Ao inibir as prostaglandinas, a indometacina promove o fechamento do canal.

Quais são as contraindicações para o uso de indometacina na PCA?

As contraindicações incluem insuficiência renal, enterocolite necrosante ativa ou suspeita, trombocitopenia significativa, hemorragia ativa (intracraniana ou gastrointestinal) e disfunção hepática grave.

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