CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2014
Para aumentar a penetração das medicações de uso tópico (colírios), elas devem estar na forma:
Córnea = sanduíche lipo-hidro-lipofílico; fármacos precisam de formas não iônicas e iônicas para atravessar.
A córnea possui barreiras de solubilidade distintas: o epitélio e o endotélio são lipofílicos (exigem forma não iônica), enquanto o estroma é hidrofílico (exige forma iônica).
A farmacocinética ocular é um desafio devido à anatomia complexa do segmento anterior. A córnea funciona como uma barreira diferencial: o epitélio e o endotélio são barreiras lipídicas, enquanto o estroma é uma barreira aquosa. Para que um colírio atinja níveis terapêuticos no humor aquoso, a molécula deve ter características anfifílicas ou ser capaz de se dissociar parcialmente. Na prática clínica, entender esse conceito ajuda a compreender por que certas drogas possuem formulações específicas (como acetato vs. fosfato de dexametasona) e por que alterações na superfície ocular, como ceratites ou erosões, podem aumentar drasticamente a penetração de substâncias que normalmente seriam barradas pelo epitélio íntegro.
O epitélio corneano é composto por células ricas em lipídios e possui junções intercelulares apertadas (zonulae occludentes), o que o torna uma barreira hidrofóbica. Para que um fármaco atravesse essa camada por difusão passiva, ele deve estar preferencialmente em sua forma não iônica (lipossolúvel). Se a molécula estiver carregada eletricamente (iônica), ela terá grande dificuldade em vencer a resistência lipídica das membranas celulares epiteliais, reduzindo drasticamente a biodisponibilidade intraocular do medicamento administrado topicamente.
O estroma representa cerca de 90% da espessura corneana e é composto majoritariamente por água e lamelas de colágeno organizadas. Devido a essa composição, ele atua como uma barreira hidrofílica. Diferente do epitélio, o estroma facilita a passagem de moléculas em sua forma iônica (hidrossolúvel). Portanto, um fármaco ideal para uso tópico deve possuir um coeficiente de partilha que permita a existência de um equilíbrio entre as formas iônica e não iônica, garantindo que ele atravesse tanto as camadas lipídicas quanto o estroma aquoso.
O pH da formulação do colírio, em relação ao pKa da droga, determina a proporção de moléculas que estarão na forma ionizada ou não ionizada. Como a lágrima possui certa capacidade tamponante, o fármaco tenta se equilibrar ao pH fisiológico. Para maximizar a penetração, os formuladores buscam um pH que mantenha uma fração suficiente da droga na forma não ionizada para atravessar o epitélio, mas que permita a conversão para a forma ionizada ao atingir o estroma, garantindo a progressão da medicação até a câmara anterior.
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