SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um paciente de 45 anos de idade é admitido na emergência com dor abdominal difusa intensa, febre, taquicardia e sensibilidade à palpação em toda a região abdominal. Ao exame físico, revela defesa muscular generalizada e dor à palpação profunda. Os sinais vitais evidenciaram PA = 89 mmHg x 55 mmHg, FC = 120 bpm, FR = 24 irpm, temperatura = 39,5 °C e SatO2 = 94%. Ultrassonografia de abdome revela imagem sugestiva de um abscesso intra-abdominal e líquido livre no abdome. Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada em relação à técnica cirúrgica a ser utilizada.
Peritonite difusa + Instabilidade hemodinâmica = Laparotomia exploratória imediata.
Pacientes com sinais de peritonite generalizada e instabilidade hemodinâmica necessitam de intervenção cirúrgica imediata para controle de foco, sem atrasos por exames de imagem complexos.
O manejo do abdome agudo inflamatório ou infeccioso grave exige rapidez no diagnóstico e na intervenção. A presença de febre alta, taquicardia e hipotensão configura um quadro de sepse ou choque séptico de foco abdominal. A conduta padrão-ouro em casos de peritonite difusa com instabilidade é a laparotomia exploratória para controle de danos, lavagem da cavidade e drenagem de coleções. A estabilização hemodinâmica deve ocorrer em paralelo à preparação para o bloco cirúrgico, seguindo os protocolos de 'Surviving Sepsis Campaign'.
A Tomografia Computadorizada (TC) é o padrão-ouro para diagnóstico de abscessos e coleções, porém, em pacientes com instabilidade hemodinâmica (PA 89/55 mmHg) e sinais de peritonite generalizada (defesa muscular e dor difusa), o tempo é crítico. O diagnóstico de abdome agudo cirúrgico é clínico e a prioridade é a estabilização hemodinâmica concomitante à laparotomia exploratória para controle de foco infeccioso, evitando o atraso inerente ao transporte e realização de exames de imagem que não mudariam a conduta imediata.
A drenagem percutânea guiada por imagem (USG ou TC) é preferível para abscessos localizados e bem delimitados em pacientes estáveis. No entanto, na presença de líquido livre difuso e sinais de peritonite generalizada, a drenagem percutânea é insuficiente, sendo necessária a exploração cirúrgica (laparotomia ou laparoscopia, dependendo da estabilidade) para lavagem exaustiva da cavidade e tratamento da causa base.
Os sinais clássicos incluem dor à descompressão súbita (Sinal de Blumberg quando localizado, ou dor difusa em peritonites generalizadas), defesa muscular (contração involuntária da musculatura abdominal) e abdome em tábua. Esses achados sugerem inflamação do peritônio parietal, frequentemente decorrente de perfuração de víscera oca ou ruptura de coleções infectadas, indicando necessidade de avaliação cirúrgica urgente.
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