INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente com 54 anos, portadora de nefropatia diabética em estágio 5 da KDIGO (do inglês Kidney Disease: Improving Global Outcomes), comparece ao ambulatório de nefrologia de hospital terciário, onde faz seguimento de sua terapia por diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD) instituída há alguns meses. A paciente relata certo desconforto abdominal e aspecto turvo do líquido que é drenado de sua cavidade peritoneal. Nega febre ou outros sintomas e refere aumento de peso nas últimas semanas. Ao exame físico, a paciente se mostra normotensa, afebril, com dor leve à palpação abdominal difusamente. Exames laboratoriais que recentemente realizou revelam hiperglicemia e hipoalbuminemia. É coletado material da cavidade peritoneal, através do cateter de CAPD, para análise citológica e cultura para germes comuns. Acerca da condição que afeta essa paciente, assinale a opção correta.
Peritonite em CAPD por Gram-negativo hidrofílico (ex: Pseudomonas) → remoção do cateter é essencial para o tratamento.
A peritonite é a complicação mais grave da diálise peritoneal. A presença de líquido turvo, mesmo sem febre, deve levantar a suspeita. Quando causada por bastonetes Gram-negativos hidrofílicos como Pseudomonas, a remoção do cateter é frequentemente necessária devido à dificuldade de erradicação e alto risco de falha terapêutica.
A diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD) é uma modalidade de terapia renal substitutiva que oferece flexibilidade e autonomia aos pacientes. No entanto, a peritonite é a complicação mais frequente e grave, sendo a principal causa de falha da técnica e transferência para hemodiálise. A nefropatia diabética é uma causa comum de doença renal crônica, e pacientes diabéticos em diálise peritoneal podem apresentar maior risco de complicações infecciosas e metabólicas, como hiperglicemia e hipoalbuminemia, que podem ser exacerbadas pela própria diálise e por processos infecciosos. O quadro clínico de peritonite em CAPD geralmente se manifesta com dor abdominal e líquido de diálise turvo. Febre e outros sintomas sistêmicos podem estar ausentes, especialmente em pacientes imunocomprometidos ou com infecções menos agressivas. O diagnóstico é confirmado pela análise do líquido peritoneal, que tipicamente revela uma contagem de leucócitos elevada (>100 células/mm³ com >50% polimorfonucleares) e cultura positiva. A hiperglicemia e hipoalbuminemia podem ser explicadas tanto pela diálise peritoneal (absorção de glicose do dialisato, perda de proteínas) quanto pelo processo infeccioso e inflamatório. O tratamento da peritonite em CAPD envolve a administração de antibióticos empíricos intraperitoneais ou intravenosos, ajustados após o resultado da cultura e antibiograma. No entanto, em casos de infecção por germes particularmente virulentos ou resistentes, como bastonetes Gram-negativos hidrofílicos (ex: Pseudomonas sp.), a remoção do cateter de diálise peritoneal é frequentemente indispensável. A Pseudomonas é conhecida por formar biofilmes no cateter, tornando a erradicação antibiótica difícil e aumentando o risco de falha terapêutica e recorrência. A decisão de remover o cateter é crítica e visa preservar a vida do paciente e a possibilidade de futuras terapias renais substitutivas.
Os critérios diagnósticos para peritonite em diálise peritoneal incluem a presença de dor abdominal, líquido de diálise turvo e/ou contagem de leucócitos no líquido peritoneal > 100 células/mm³ com mais de 50% de polimorfonucleares, além de cultura positiva do líquido.
A Pseudomonas sp. é um germe de preocupação devido à sua virulência, capacidade de formar biofilmes no cateter e resistência intrínseca a muitos antibióticos. Infecções por Pseudomonas frequentemente resultam em peritonite refratária, requerendo tratamento agressivo e, muitas vezes, a remoção do cateter.
A remoção do cateter é indicada em peritonites refratárias (sem melhora após 5 dias de antibióticos), peritonites fúngicas, peritonites por germes agressivos como Pseudomonas que não respondem ao tratamento inicial, peritonites com abscesso abdominal ou infecção do túnel do cateter, e peritonites recorrentes.
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