Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Manejo Inicial

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2021

Enunciado

Sr. José da Silva, 47 anos de idade, etilista há mais de 20 anos, em tratamento irregular para hipertensão arterial e cirrose hepática de etiologia alcóolica, procura o Pronto-Socorro queixando-se de desconforto e aumento do volume abdominal, associado à inapetência há cerca de 1 semana. Nega febre, trauma ou sangramentos. Está evacuando 2x ao dia com uso regular de laxativosAo exame físico: Regular estado geral, desidratado 2+/4+, vigil, calmo e colaborativo. PA = 90x60mmHg, FC = 112bpm; FR = 20 ipm, abdome distendido, com macicez móvel presente, indolor à palpação profunda ou à descompressão brusca. Semiologias pulmonar e cardíaca sem alterações. Membros inferiores com edema +/4+.Optou-se pela realização de uma paracentese diagnóstica, que encontrou a albumina de 0,5 g/dL e 400 células/mm³ (80% de polimorfonucleares e 30% de mononucleares)O resultado da bacterioscopia com coloração de Gram foi ausente e a cultura do líquido ascítico está em análise.Exames laboratoriais séricos demonstram: Albumina = 2,4 g/dL, Ur = 130 mg/dL; Cr = 1,9 mg/dL; Na+ 128 mEq/L; K+ 3,2 mEq/L; Cálcio iónico = 1,15 mmol/L; Fósforo = 2,9 mg/dL; parcial de urina normal; Hemograma com Hb 11,6 g/dL com VCM = 102fl; Leucócitos = 10550/mm³ (diferencial normal); Plaquetas = 98000/mm³Qual das alternativas a seguir melhor descreve os elementos que devem ser incluídos na prescrição inicial deste paciente?

Alternativas

  1. A) Furosemida e suplementação de potássio
  2. B) Furosemida, espironolactona e ceftriaxona
  3. C) Expansão volêmica e vancomicina
  4. D) Expansão volêmica e ceftriaxone

Pérola Clínica

PBE = PMN > 250/mm³ no líquido ascítico + Albumina sérica < 2,5 + Cr ↑ → Ceftriaxona + Albumina IV.

Resumo-Chave

O paciente apresenta cirrose e ascite com paracentese mostrando 400 células/mm³ com 80% de polimorfonucleares (PMN = 320/mm³), o que configura peritonite bacteriana espontânea (PBE). Além disso, há sinais de disfunção renal (Cr 1,9 mg/dL) e hiponatremia (Na+ 128 mEq/L), indicando a necessidade de expansão volêmica com albumina intravenosa para prevenir a síndrome hepatorrenal, juntamente com antibioticoterapia empírica para PBE (ceftriaxona).

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave e comum em pacientes com cirrose e ascite, caracterizada pela infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal cirúrgica. É uma das principais causas de descompensação hepática e mortalidade em cirróticos. A epidemiologia mostra que até 30% dos pacientes com ascite podem desenvolver PBE em algum momento. A fisiopatologia envolve translocação bacteriana do intestino para a circulação sistêmica e, posteriormente, para o líquido ascítico, devido a alterações na barreira intestinal e no sistema imune. O diagnóstico é estabelecido pela paracentese, com contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³ no líquido ascítico. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, alteração do nível de consciência ou piora da função renal. O tratamento da PBE consiste em antibioticoterapia empírica imediata, geralmente com ceftriaxona, e expansão volêmica com albumina intravenosa para prevenir a síndrome hepatorrenal, especialmente em pacientes com creatinina > 1 mg/dL, BUN > 30 mg/dL ou bilirrubina total > 4 mg/dL. O prognóstico da PBE é grave, com alta taxa de recorrência e mortalidade, ressaltando a importância da profilaxia secundária em pacientes de alto risco.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é feito pela paracentese diagnóstica, que revela contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³ na ausência de uma fonte cirúrgica de infecção.

Qual a importância da albumina intravenosa no tratamento da PBE?

A albumina intravenosa é crucial no tratamento da PBE, especialmente em pacientes com disfunção renal ou bilirrubina total elevada, para prevenir a síndrome hepatorrenal e melhorar a sobrevida.

Quais antibióticos são recomendados para o tratamento empírico da PBE?

A ceftriaxona é o antibiótico de primeira linha mais recomendado para o tratamento empírico da PBE, devido à sua eficácia contra os patógenos mais comuns e boa penetração no líquido ascítico.

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