Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Tratamento

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019

Enunciado

Homem de 54 anos, branco, casado, é levado à emergência com quadro de confusão mental e rebaixamento do nível de consciência. Antecedentes de etilismo. Ao exame observa-se a presença de tremores finos de extremidades, além de ascite moderada. Realizada paracentese abdominal, que evidenciou 600 células com 80% de neutrófilos, 15% de linfócitos e 5% de células mesoteliais. Para o manejo do caso acima, qual seria a medida FUNDAMENTAL a ser implementada?

Alternativas

  1. A) Solicitar cultura do líquido ascítico e iniciar cefalosporina de 3ª geração.
  2. B) Solicitar ultrassonografia (USG) de abdome pela possibilidade de peritonite secundária à perfuração de alça intestinal e iniciar cefalosporina de 3ª geração associada a albumina. 
  3. C) Iniciar cefalosporina de 3ª geração associada à albumina independente do resultado da cultura do líquido ascítico.
  4. D) Solicitar cultura do líquido ascítico e iniciar cefalosporina de 3ª geração associada a diurético de alça.

Pérola Clínica

PBE = PMN > 250/mm³ no líquido ascítico → iniciar ATB (cefalosporina 3ª geração) + albumina empírica.

Resumo-Chave

Em pacientes cirróticos com ascite e suspeita de PBE (PMN > 250/mm³ na paracentese), o tratamento empírico com cefalosporina de 3ª geração e albumina deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar a cultura, para reduzir mortalidade.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave e comum da cirrose com ascite, caracterizada pela infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal evidente. É uma das principais causas de descompensação e morte em cirróticos. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para o líquido ascítico, facilitada pela disbiose, aumento da permeabilidade intestinal e deficiência imunológica em pacientes cirróticos. A contagem de PMN > 250/mm³ é o critério diagnóstico mais importante. O tratamento da PBE é uma emergência médica. Consiste em antibioticoterapia empírica com cefalosporina de 3ª geração (ex: Cefotaxima) e administração de albumina intravenosa para prevenir a síndrome hepatorrenal. A cultura do líquido ascítico deve ser coletada antes dos antibióticos, mas o tratamento não deve ser atrasado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é estabelecido pela presença de ascite e uma contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico maior ou igual a 250 células/mm³, na ausência de uma fonte cirúrgica de infecção.

Por que a albumina é utilizada no tratamento da PBE?

A albumina é administrada para prevenir a síndrome hepatorrenal e reduzir a mortalidade em pacientes com PBE, especialmente aqueles com creatinina elevada, bilirrubina total > 4 mg/dL ou ureia elevada.

Qual a importância de iniciar o tratamento da PBE antes do resultado da cultura?

O início imediato do tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro (como cefalosporina de 3ª geração) é crucial devido à alta mortalidade associada à PBE, mesmo antes da confirmação bacteriológica pela cultura.

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