PBE em Cirrose: Diagnóstico Urgente na Encefalopatia Hepática

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 72 anos, gênero masculino, internado há 2 semanas por hemorragia digestiva varicosa, complicação de cirrose hepática pelo vírus da hepatite C. Encontrava- se estável após o tratamento instituído, em que pese a ascite moderada, porém começou a ter rebaixamento do nível de consciência, presença de flapping e elevação das escórias nitrogenadas no sangue. A conduta correta a ser instituída a seguir é:

Alternativas

  1. A) realizar a paracentese diagnóstica para investigar a presença da peritonite bacteriana espontânea.
  2. B)  iniciar o uso da terlipressina e albumina, pois trata-se de um caso de síndrome hepatorrenal.
  3. C)  administrar a lactulose e o metronidazol e aguardar 5 dias se haverá resposta ou não, para só então seguir com as demais investigações
  4. D)  realizar a paracentese de alívio e iniciar o uso da noradrenalina e albumina, evitando a piora da disfunção renal.
  5. E)  introduzir antibioticoterapia empírica, pois deve estar com uma infecção que precipitou a encefalopatia hepática

Pérola Clínica

Cirrótico com ascite + piora neurológica/renal → PBE é precipitante comum; realizar paracentese diagnóstica URGENTE.

Resumo-Chave

Em pacientes cirróticos com ascite que desenvolvem encefalopatia hepática ou disfunção renal, a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é um precipitante comum e grave. A paracentese diagnóstica é a primeira e mais importante conduta para identificar ou excluir a PBE, permitindo o tratamento precoce e evitando a progressão da doença.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que pode levar a múltiplas complicações, incluindo a hemorragia digestiva varicosa, ascite e encefalopatia hepática. A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico, comum em pacientes com cirrose e ascite, e é um precipitante frequente de descompensação hepática, incluindo encefalopatia e disfunção renal. Quando um paciente cirrótico com ascite apresenta piora do estado de consciência (encefalopatia hepática) ou elevação das escórias nitrogenadas (sugerindo disfunção renal), a PBE deve ser sempre uma das primeiras hipóteses a serem investigadas. Os sintomas da PBE podem ser inespecíficos, como febre, dor abdominal, mas também podem se manifestar apenas como piora da encefalopatia ou da função renal. A conduta mais urgente e correta é a realização de uma paracentese diagnóstica. A análise do líquido ascítico (contagem de leucócitos, diferencial, cultura) é fundamental para confirmar ou excluir a PBE. Somente após a exclusão ou tratamento da PBE, outras causas de encefalopatia ou disfunção renal, como a síndrome hepatorrenal, devem ser consideradas e tratadas. O tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente após a coleta do líquido ascítico, se a suspeita de PBE for alta.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para Peritonite Bacteriana Espontânea em pacientes cirróticos com ascite?

Os sinais de alerta incluem febre, dor abdominal, sensibilidade abdominal, piora da ascite, íleo paralítico, e, mais importante, piora inexplicável da função renal ou encefalopatia hepática em um paciente com cirrose e ascite.

Qual a importância da paracentese diagnóstica na suspeita de PBE?

A paracentese diagnóstica é crucial para confirmar ou excluir a PBE. A análise do líquido ascítico, especialmente a contagem de neutrófilos polimorfonucleares (>250 células/mm³), é o padrão-ouro para o diagnóstico e para guiar o tratamento antibiótico.

Como a PBE pode precipitar a encefalopatia hepática e a disfunção renal?

A PBE causa uma resposta inflamatória sistêmica que pode levar à disfunção de múltiplos órgãos. A infecção agrava a disfunção hepática, aumentando a produção de amônia e outras toxinas, e pode precipitar a síndrome hepatorrenal, levando à elevação das escórias nitrogenadas e piora da encefalopatia.

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