PBE em Cirróticos: Tratamento com Ceftriaxona e Albumina

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 56 anos de idade, com história de doença hepática crônica, em uso de espironolactona, furosemida e lactulose, evolui com mais um episódio de confusão mental. Exame físico: T: 36,3 oC, PA: 115 x 65 mmHg, FC: 88 bpm e FR: 20 ipm; desorientada para data e local; asterixis (flapping) evidente; abdome: moderadamente distendido, ruídos intestinais audíveis e com ascite. Exames laboratoriais: glicemia: 82 mg/dL, ureia: 74 mg/dL, creatinina: 1,3 mg/dL e bilirrubina total: 4,9 mg/dL. A paracentese diagnóstica revela uma contagem de células nucleadas de 820/mm³ , com 70% de leucócitos polimorfonucleares. Os resultados do gram e cultura estão pendentes. Qual entre os seguintes é o tratamento mais adequado?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia, coloide e terlipressina.
  2. B) Ceftriaxona e albumina humana.
  3. C) Ceftriaxona e cristaloides.
  4. D) Cefotaxima e restrição de sal.
  5. E) Ciprofloxacina, lactulose e restrição hídrica.

Pérola Clínica

PBE (PMN > 250/mm³) em cirrótico → Ceftriaxona/Cefotaxima + Albumina (prevenção SHR).

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave da cirrose com ascite, diagnosticada por > 250 PMN/mm³ no líquido ascítico. O tratamento padrão inclui antibióticos de amplo espectro (cefalosporinas de 3ª geração) e albumina para prevenir a síndrome hepatorrenal.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico em pacientes com cirrose, sem uma fonte intra-abdominal de infecção aparente. É uma complicação comum e potencialmente fatal da doença hepática descompensada, com uma alta taxa de mortalidade se não tratada prontamente. A suspeita clínica é alta em pacientes cirróticos com ascite que apresentam febre, dor abdominal, alteração do estado mental ou deterioração da função renal. O diagnóstico definitivo da PBE é feito através da paracentese diagnóstica, com a análise do líquido ascítico. Uma contagem de polimorfonucleares (PMN) maior ou igual a 250 células/mm³ é o critério diagnóstico principal, mesmo antes dos resultados da cultura. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente após a coleta do líquido ascítico para cultura, utilizando antibióticos de amplo espectro, como as cefalosporinas de terceira geração (cefotaxima ou ceftriaxona), que cobrem os patógenos mais comuns (principalmente bactérias entéricas Gram-negativas). Além da antibioticoterapia, a administração de albumina humana intravenosa é crucial para prevenir a síndrome hepatorrenal e reduzir a mortalidade, especialmente em pacientes com fatores de risco como creatinina sérica > 1 mg/dL, bilirrubina total > 4 mg/dL ou ureia > 30 mg/dL. A lactulose, embora importante para a encefalopatia hepática, não é o tratamento primário para a PBE. O manejo adequado da PBE é um pilar fundamental na prática de hepatologia e medicina interna.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é confirmado pela paracentese diagnóstica que revela uma contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico maior ou igual a 250 células/mm³.

Por que a albumina humana é utilizada no tratamento da PBE?

A albumina é administrada para prevenir a síndrome hepatorrenal e reduzir a mortalidade em pacientes com PBE, especialmente aqueles com disfunção renal, bilirrubina elevada ou creatinina sérica > 1 mg/dL.

Qual antibiótico é a primeira escolha para o tratamento empírico da PBE?

Cefalosporinas de terceira geração, como ceftriaxona ou cefotaxima, são os antibióticos de primeira escolha para o tratamento empírico da PBE devido à sua eficácia contra os patógenos mais comuns.

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