HGNI - Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) (RJ) — Prova 2015
Paciente feminina, 62 anos, portadora de hepatite C em acompanhamento ambulatorial há 4 anos, em uso de espironolactona 100mg/dia para tratamento da ascite. Comparece à emergência com relato de aumento de volume abdominal há 2 semanas. Ao exame, bradipsíquica (encefalopatia hepática grau I), ictérica 1+/4+, hidratada. Ascite tensa. Exames laboratoriais: TAP 52%, Plaquetas 98.000/mm3, Bilirrubina 3,0mg/dL, creatinina 1,8mg/dL, Na+ 132mEq/l, K+ =4,9 mEq/L. Leucócitos 11.000/mm³. Assinale a alternativa correta em relação ao manejo inicial da paciente.
Ascite tensa + piora clínica (encefalopatia, leucocitose) em cirrótico → PBE até prova em contrário. Fazer paracentese diagnóstica.
Pacientes cirróticos com ascite e piora clínica (encefalopatia, aumento da ascite, febre ou leucocitose) devem ter peritonite bacteriana espontânea (PBE) descartada. A paracentese diagnóstica é fundamental e deve ser realizada prontamente, mesmo com coagulopatia, pois o risco de sangramento é baixo. A espironolactona deve ser suspensa em caso de suspeita de PBE ou piora da função renal.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico que ocorre em pacientes com cirrose hepática, sem uma fonte intra-abdominal evidente de infecção. É uma complicação comum e potencialmente fatal da cirrose descompensada, com alta taxa de recorrência e mortalidade. A paciente do caso apresenta ascite tensa, encefalopatia hepática grau I e leucocitose, sinais que levantam forte suspeita de PBE. A fisiopatologia da PBE envolve a translocação bacteriana do intestino para a cavidade peritoneal, facilitada pela disfunção imunológica e pela estase do líquido ascítico. O diagnóstico é feito pela paracentese diagnóstica, que deve ser realizada em todo paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, piora da encefalopatia, leucocitose ou sangramento gastrointestinal. A contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³ é o critério diagnóstico. O manejo inicial inclui a suspensão de diuréticos (como a espironolactona, que pode piorar a função renal), a realização da paracentese diagnóstica e o início empírico de antibioticoterapia de amplo espectro (geralmente cefalosporinas de terceira geração, como cefotaxima), enquanto se aguardam os resultados da cultura. A administração de albumina intravenosa também é recomendada para prevenir a síndrome hepatorrenal.
O diagnóstico de PBE é confirmado pela contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, na ausência de uma fonte secundária de infecção intra-abdominal.
A paracentese é crucial porque a PBE pode ser assintomática ou apresentar sintomas inespecíficos, e o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente a mortalidade.
O tratamento inicial da PBE é com antibióticos de amplo espectro, como cefotaxima ou ceftriaxona, por via intravenosa, associado à albumina para prevenir a síndrome hepatorrenal.
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