SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2020
Um paciente, 62 anos, cirrótico devido a metástase hepática de neoplasia primária de intestino, dá entrada no pronto-socorro com quadro de dor abdominal, confusão mental, dispneia acentuada e oligúria há 24 horas. Ao exame físico, encontram-se flapping e ascite volumosa, com dor à palpação profunda e descompressão brusca dolorosa. É internado e solicitado exames: TGO 137 U/L, TGP 95 U/L, Hemograma com leucocitose discreta, INR 1,7, O exame do líquido ascítico demonstra presença de 700 células, com 80% de neutrófilos. Qual a conduta imediata para esse paciente?
Cirrótico com ascite, dor abdominal, febre/confusão e >250 neutrófilos no líquido ascítico → PBE. Tratar com ATB + Albumina.
O paciente apresenta um quadro clássico de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE): cirrose, ascite, dor abdominal, confusão mental (encefalopatia hepática), e líquido ascítico com contagem de neutrófilos > 250 células/mm³ (700 células com 80% neutrófilos = 560 neutrófilos). A conduta imediata e essencial é iniciar antibioticoterapia empírica (geralmente cefalosporina de 3ª geração) e albumina intravenosa para prevenir a síndrome hepatorrenal.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico em pacientes com cirrose, sem uma fonte intra-abdominal evidente de infecção. É uma complicação comum da cirrose descompensada, com alta morbimortalidade, e seu reconhecimento e tratamento imediatos são cruciais para a sobrevida do paciente. O diagnóstico da PBE é feito pela paracenteses diagnóstica, que revela uma contagem de neutrófilos polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³. A apresentação clínica pode ser variada, incluindo dor abdominal, febre, confusão mental (encefalopatia hepática) e deterioração da função renal. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para o líquido ascítico, facilitada pela disfunção imunológica e aumento da permeabilidade intestinal em cirróticos. A conduta imediata para PBE envolve a administração de antibioticoterapia empírica (geralmente cefalosporinas de 3ª geração, como cefotaxima) e albumina intravenosa. A albumina é vital para prevenir a síndrome hepatorrenal, uma complicação renal grave. O tratamento precoce e adequado melhora significativamente o prognóstico, mas a PBE continua sendo um marcador de cirrose avançada e um fator de risco para futuras descompensações.
O diagnóstico de PBE é confirmado pela análise do líquido ascítico, que deve apresentar uma contagem de neutrófilos polimorfonucleares (PMN) maior ou igual a 250 células/mm³, na ausência de uma fonte de infecção intra-abdominal cirúrgica.
A albumina é administrada para prevenir a síndrome hepatorrenal (SHR), uma complicação grave e frequentemente fatal da PBE, especialmente em pacientes com bilirrubina > 4 mg/dL ou creatinina > 1 mg/dL.
A antibioticoterapia empírica inicial recomendada é uma cefalosporina de terceira geração, como a cefotaxima, devido à sua boa cobertura contra bactérias gram-negativas entéricas, que são os principais agentes etiológicos da PBE.
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