UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem de 45 anos se apresenta ao pronto atendimento por relato de aumento no volume abdominal associado a dor difusa e desconforto respiratório. Ao exame: FC: 95 | FR: 23 | PA: 110/70 | Sat:95% em ar ambiente | bulhas cardíacas rítmicas normofonéticas sem sopros | Tórax com MV presente diminuído em bases sem ruídos adventícios | Abdome com macicez móvel e semicírculos de skoda positivo. Apresenta os seguintes exames laboratoriais séricos: Creatinina 1,1 mg/dL | Albumina 2,9 mg/dL. Apresenta os seguintes exames do líquido ascítico: Proteína: 3,8 mg/dL | Albumina: 2,1 mg/dL |Leucócitos 580/uL | Polimorfonucleares: 85%. Qual o agente mais frequentemente responsável pelo quadro clínico descrito acima?
Ascite + PMN > 250/mm³ no líquido ascítico + GASA > 1.1 g/dL → PBE, geralmente por E. coli.
O quadro clínico e laboratorial (ascite com polimorfonucleares > 250/uL no líquido ascítico e GASA > 1.1 g/dL, indicando ascite por hipertensão portal) é altamente sugestivo de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE). A Escherichia coli é o agente etiológico mais comum na PBE, seguida por Klebsiella pneumoniae e outras enterobactérias.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico, comum em pacientes com cirrose hepática e ascite. É uma complicação séria da hipertensão portal, com alta morbidade e mortalidade se não for prontamente diagnosticada e tratada. A suspeita clínica deve ser alta em qualquer paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, alteração do estado mental ou deterioração da função renal. O diagnóstico de PBE é estabelecido pela paracentese diagnóstica e análise do líquido ascítico. O critério principal é a contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³. O Gradiente Soro-Ascite de Albumina (GASA) deve ser calculado para confirmar a etiologia da ascite (GASA > 1.1 g/dL indica hipertensão portal). A cultura do líquido ascítico é importante para identificar o agente e guiar o tratamento, embora o tratamento empírico deva ser iniciado antes dos resultados da cultura. A Escherichia coli é o agente etiológico mais frequentemente isolado na PBE, seguida por Klebsiella pneumoniae e outras bactérias Gram-negativas entéricas. O tratamento empírico inicial consiste em antibióticos de amplo espectro, como cefotaxima ou ceftriaxona. A profilaxia secundária com norfloxacino ou ciprofloxacino é indicada após o primeiro episódio de PBE para prevenir recorrências.
O diagnóstico de PBE é feito pela análise do líquido ascítico, que deve apresentar contagem de polimorfonucleares (PMN) maior ou igual a 250 células/mm³.
O GASA é a diferença entre a albumina sérica e a albumina do líquido ascítico. Um GASA > 1.1 g/dL indica ascite por hipertensão portal, condição predisponente à PBE.
A Escherichia coli é o agente mais comum, responsável por cerca de 50-70% dos casos, seguida por Klebsiella pneumoniae e outras enterobactérias gram-negativas.
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