UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2015
Paciente com Síndrome Nefrótica apresenta-se com dor abdominal aguda no Pronto- Socorro e sinais sugestivos de apendicite aguda. Dentre os diagnósticos diferenciais a serem pesquisados para o quadro, inclui-se:
Síndrome Nefrótica + dor abdominal aguda → PBE (Streptococcus pneumoniae) e hipovolemia são diferenciais chave, além de apendicite.
Pacientes com Síndrome Nefrótica têm risco aumentado de infecções, especialmente peritonite bacteriana espontânea (PBE), frequentemente causada por *Streptococcus pneumoniae*, devido à imunossupressão e perda de proteínas do complemento. Além disso, podem desenvolver hipovolemia devido à perda de albumina e extravasamento de líquido para o terceiro espaço, o que pode causar dor abdominal. Esses são diagnósticos diferenciais cruciais para dor abdominal aguda nesse contexto.
A Síndrome Nefrótica é uma condição caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Pacientes com Síndrome Nefrótica são suscetíveis a diversas complicações, e a dor abdominal aguda é uma apresentação comum que exige uma investigação cuidadosa, pois pode indicar condições graves e com manejo distinto. Entre os diagnósticos diferenciais, a peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma das mais importantes e potencialmente fatais. Ocorre devido à translocação bacteriana e à deficiência imunológica (perda de imunoglobulinas e fatores do complemento na urina), sendo o *Streptococcus pneumoniae* o patógeno mais frequente. A PBE manifesta-se com dor abdominal difusa, febre, náuseas, vômitos e sensibilidade abdominal, podendo mimetizar apendicite. O diagnóstico é confirmado por paracentese com análise do líquido ascítico. Outra complicação relevante é a hipovolemia. Apesar do edema generalizado, a perda de albumina para o terceiro espaço pode levar a uma redução do volume intravascular efetivo, causando sintomas como dor abdominal (por isquemia mesentérica ou distensão intestinal), hipotensão e oligúria. Outras causas incluem trombose de veia renal (pelo estado de hipercoagulabilidade), edema de alças intestinais e pancreatite. É fundamental que o residente esteja atento a essas particularidades para realizar um diagnóstico diferencial preciso e iniciar o tratamento adequado, seja ele clínico ou cirúrgico.
Pacientes com Síndrome Nefrótica têm maior risco de PBE devido à perda urinária de imunoglobulinas e fatores do complemento (como o fator B), o que compromete a opsonização bacteriana. Além disso, o edema intestinal e o acúmulo de líquido ascítico fornecem um meio propício para a proliferação bacteriana, sendo o *Streptococcus pneumoniae* o agente mais comum.
A hipovolemia na Síndrome Nefrótica ocorre devido à hipoalbuminemia grave, que leva ao extravasamento de líquido do espaço intravascular para o interstício (edema). A redução do volume intravascular pode causar isquemia mesentérica transitória ou dor abdominal inespecífica devido à má perfusão, mimetizando quadros agudos.
Além da avaliação clínica, exames úteis incluem hemograma completo, eletrólitos, função renal, albumina sérica, PCR e VHS. A paracentese diagnóstica é crucial para confirmar PBE, analisando celularidade, cultura e bioquímica do líquido ascítico. Ultrassonografia abdominal pode auxiliar na exclusão de apendicite ou outras causas cirúrgicas e na avaliação de ascite.
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