SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um paciente de 52 anos de idade, etilista crônico e cirrótico, foi levado ao serviço de emergência com queixa de dor abdominal difusa, febre e confusão mental. Ao exame físico, apresentou PA = 90 mmHg X 60 mmHg, FC = 120 bpm, FR 24 = irpm, SatO2 = 94% e abdome tenso, com sinal de Murphy negativo. O resultado do hemograma mostrou leucócitos = 18.000/mm³ com desvio à esquerda. Nesse caso, qual é o diagnóstico mais provável?
Cirrótico com ascite + febre, dor abdominal, confusão mental → Suspeitar PBE = Paracentese diagnóstica urgente.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave em pacientes cirróticos com ascite, caracterizada por infecção do líquido ascítico sem foco intra-abdominal aparente. A tríade clássica inclui febre, dor abdominal e alteração do estado mental, frequentemente acompanhada de sinais de sepse e leucocitose.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico que ocorre em pacientes com cirrose hepática e ascite, sem uma fonte intra-abdominal cirúrgica aparente. É uma complicação comum e potencialmente fatal da cirrose, com alta taxa de mortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para a cavidade peritoneal, facilitada pela disfunção imunológica e aumento da permeabilidade intestinal em cirróticos. O quadro clínico da PBE pode ser variado, mas a tríade clássica inclui febre, dor abdominal difusa e alteração do estado mental (encefalopatia hepática). Outros sinais e sintomas podem incluir náuseas, vômitos, diarreia, hipotensão e sinais de sepse. O exame físico pode revelar abdome tenso, mas sinais de irritação peritoneal podem ser sutis ou ausentes. A leucocitose com desvio à esquerda é um achado laboratorial comum. O diagnóstico definitivo é feito pela paracocentese diagnóstica, com análise do líquido ascítico. Uma contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³ no líquido ascítico é diagnóstica de PBE. O tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro (geralmente cefalosporinas de terceira geração) deve ser iniciado imediatamente após a coleta do líquido, sem aguardar os resultados da cultura, devido à alta mortalidade associada à PBE.
Os principais fatores de risco são cirrose hepática avançada, ascite, sangramento gastrointestinal e episódios prévios de PBE.
O diagnóstico definitivo de PBE é feito pela paracocentese diagnóstica, com contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³.
A PBE pode se manifestar com sintomas atípicos como apenas febre, alteração do estado mental (encefalopatia), deterioração da função renal ou choque, sem dor abdominal proeminente.
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