Peritonite Bacteriana: Diferenciando PBE de Secundária

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Qual dos achados no líquido ascítico sugere outra etiologia para a peritonite, que não seja Peritonite Bacteriana, em um paciente hepatopata, após sangramento de varizes de esôfago, apresentando sonolência, ascite, dor abdominal e febre baixa?

Alternativas

  1. A) Glicose no líquido ascítico = 55 mg/dL
  2. B) Isolamento de 2 germes na cultura
  3. C) LDH 50 U/L
  4. D) ADA 30 U/L

Pérola Clínica

Hepatopata com ascite e peritonite: Isolamento de ≥ 2 germes na cultura do líquido ascítico → Peritonite Secundária (não PBE).

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é tipicamente monomicrobiana, causada por translocação bacteriana. O isolamento de dois ou mais germes na cultura do líquido ascítico, especialmente se houver polimorfismo celular e baixa glicose, sugere peritonite secundária, que geralmente indica uma fonte intra-abdominal de infecção (ex: perfuração de víscera oca).

Contexto Educacional

A peritonite em pacientes hepatopatas com ascite é uma complicação grave, sendo a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) a forma mais comum. A PBE é uma infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal aparente, geralmente causada por translocação bacteriana da flora intestinal. No entanto, é crucial diferenciar a PBE da peritonite secundária, que resulta de uma infecção intra-abdominal tratável cirurgicamente, como perfuração de víscera oca ou abscesso. A falha em distinguir entre elas pode levar a atrasos no tratamento e aumento da morbimortalidade. O diagnóstico da PBE é baseado na análise do líquido ascítico, com contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³ e cultura monomicrobiana. A peritonite secundária, por outro lado, é frequentemente polimicrobiana, com isolamento de dois ou mais germes na cultura, incluindo anaeróbios. Outros indicadores de peritonite secundária no líquido ascítico incluem glicose < 50 mg/dL, LDH > 225 U/L e proteínas totais > 1 g/dL, além de PMN geralmente muito mais elevados que na PBE. O manejo da PBE envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro, geralmente com cefalosporinas de terceira geração, e profilaxia secundária em casos recorrentes. Para a peritonite secundária, o tratamento é cirúrgico para controle da fonte de infecção, além de antibioticoterapia. A suspeita de peritonite secundária é uma emergência cirúrgica e exige avaliação imediata para evitar complicações graves como sepse e falência de múltiplos órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é feito pela contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³ e cultura monomicrobiana, geralmente de bactérias entéricas.

Por que o isolamento de múltiplos germes no líquido ascítico sugere peritonite secundária?

A PBE é causada por translocação bacteriana e é quase sempre monomicrobiana. O isolamento de dois ou mais germes, especialmente anaeróbios ou fungos, indica uma fonte de infecção intra-abdominal, como perfuração intestinal, caracterizando peritonite secundária.

Quais outros achados no líquido ascítico diferenciam PBE de peritonite secundária?

Na peritonite secundária, além da cultura polimicrobiana, é comum encontrar glicose baixa (< 50 mg/dL), LDH elevado (> 225 U/L) e proteínas totais elevadas (> 1 g/dL), além de PMN muito altos.

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