HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Homem, 56 anos, refere aumento do volume abdominal nos últimos 2 meses. Há uma semana, apresenta episódios de desorientação e inversão no ciclo sono/vigília. Histórico de transfusão sanguínea no ano de 1978. Ao exame físico, observam-se telangiectasias na região torácica. Na inspeção do abdômen, nota-se circulação colateral e na percussão há macicez móvel. Durante a palpação abdominal, o paciente não refere dor, e a borda hepática inferior não é palpável. Ultrassonografia de abdômen demonstra fígado com redução das dimensões do lobo esquerdo, hipertrofia do lobo caudado, bordos rombos e densidade heterogênea. Veias porta e esplênica de calibre aumentado. O baço mede cerca de 16 cm no maior diâmetro e há grande quantidade de líquido livre. História de paracentese prévia, há 2 meses, com GASA de 2,3 e celularidade normal. Em relação ao caso clínico, assinale a alternativa que indica a necessidade de nova paracentese diagnóstica.
Ascite + Encefalopatia hepática = Nova paracentese diagnóstica para PBE.
A encefalopatia hepática em paciente com ascite é um sinal de alerta para descompensação da cirrose, incluindo a possibilidade de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE). A PBE é uma infecção grave da ascite que pode precipitar ou agravar a encefalopatia, tornando a paracentese diagnóstica urgente.
A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que leva à fibrose e disfunção do fígado, culminando em complicações como ascite, encefalopatia hepática e hipertensão portal. A ascite, acúmulo de líquido na cavidade peritoneal, é uma das descompensações mais comuns e pode ser complicada pela Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE), uma infecção grave e potencialmente fatal. O diagnóstico de PBE é feito pela paracentese diagnóstica, que analisa o líquido ascítico para contagem de neutrófilos. Em pacientes com cirrose e ascite, qualquer sinal de descompensação, como febre, dor abdominal, piora da função renal, sangramento gastrointestinal ou, como no caso, encefalopatia hepática (desorientação e inversão do ciclo sono/vigília), deve levantar a suspeita de PBE e indicar uma nova paracentese diagnóstica, independentemente de resultados anteriores. A história de transfusão sanguínea em 1978 sugere uma possível infecção por Hepatite C, uma causa comum de cirrose. As telangiectasias e circulação colateral são estigmas de doença hepática crônica e hipertensão portal. Para residentes, é crucial reconhecer os sinais de descompensação da cirrose e a importância da paracentese diagnóstica para PBE, uma vez que o tratamento precoce com antibióticos melhora significativamente o prognóstico.
Sinais de alerta incluem febre, dor abdominal, sensibilidade abdominal, alteração do estado mental (encefalopatia), leucocitose, piora da função renal e sangramento gastrointestinal.
O Gradiente Albumina Soro-Ascite (GASA) ajuda a diferenciar a ascite por hipertensão portal (GASA ≥ 1,1 g/dL) de outras causas (GASA < 1,1 g/dL). No caso, um GASA de 2,3 indica ascite por hipertensão portal.
A PBE pode precipitar ou agravar a encefalopatia hepática devido à inflamação sistêmica e à liberação de toxinas, que pioram a disfunção hepática e cerebral. Por isso, a presença de encefalopatia em paciente com ascite é indicação para paracentese diagnóstica.
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