Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Tratamento

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 57 anos de idade, acometido por cirrose hepática de etiologia alcoólica com hepatocarcinoma associado, foi internado devido ao aumento de volume abdominal, dor abdominal e confusão mental. Foi realizada uma punção diagnóstica, com 375 neutrófilos no líquido puncionado, albumina soro 1,9 e albumina do líquido ascítico 0,6 e culturas em andamento. Foi, então, iniciada antibioticoterapia empírica e diureticoterapia com furosemida e espironolactona. No terceiro dia de internação, a paciente evoluiu com oligoanúria, teve piora do edema periférico, creatinina de 2,9 (na entrada, era de 0,8), ureia de 93, potássio 5,7, gasometria com pH 7,28 e bicarbonato 15.Quanto ao líquido ascítico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O paciente possui diagnóstico confirmado de peritonite bacteriana espontânea, e o antibiótico iniciado provavelmente foi uma cefalosporina de terceira geração.
  2. B) Caso a cultura do líquido ascítico termine como negativa, o diagnóstico seria bacterascite e o antibiótico seria desnecessário.
  3. C) Caso a cultura do líquido ascítico termine como negativa, o diagnóstico seria ascite neutrofílica e o antibiótico adequado seria uma cefalosporina de terceira geração.
  4. D) A análise do líquido demonstra um GASA elevado, logo o paciente possui diagnóstico de líquido exsudativo e, portanto, provável peritonite bacteriana secundária.
  5. E) A análise do líquido demonstra um GASA baixo, logo o paciente possui diagnóstico de líquido exsudativo e, portanto, provável peritonite bacteriana secundária.

Pérola Clínica

PBE = Neutrófilos ascíticos ≥ 250/mm³ + cultura positiva ou negativa (ascite neutrofílica).

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave da cirrose, diagnosticada por contagem de neutrófilos no líquido ascítico ≥ 250/mm³. Mesmo com cultura negativa, se a contagem de neutrófilos for alta, o diagnóstico é de ascite neutrofílica, que deve ser tratada como PBE, geralmente com cefalosporinas de terceira geração.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico que ocorre em pacientes com cirrose hepática, sem uma fonte intra-abdominal evidente de infecção. É uma complicação comum e potencialmente fatal, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A PBE é um tópico crucial para a prática clínica e provas de residência, dada sua prevalência e gravidade. O diagnóstico de PBE é estabelecido pela análise do líquido ascítico, onde uma contagem de neutrófilos (polimorfonucleares) ≥ 250 células/mm³ é o critério mais importante. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para a cavidade peritoneal, facilitada pela disfunção imune e aumento da permeabilidade intestinal em pacientes cirróticos. Os sintomas podem ser inespecíficos, como febre, dor abdominal, piora da ascite ou encefalopatia, exigindo alto índice de suspeita. O tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente após a punção diagnóstica, sem aguardar os resultados da cultura, devido à alta mortalidade associada à demora. Cefalosporinas de terceira geração, como a cefotaxima, são a escolha inicial. Além da antibioticoterapia, a administração de albumina intravenosa é recomendada para prevenir a síndrome hepatorrenal. O prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico e tratamento precoces.

Perguntas Frequentes

Qual o critério diagnóstico para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O critério diagnóstico principal para PBE é a contagem de neutrófilos no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³. A cultura positiva confirma a infecção, mas o tratamento empírico deve ser iniciado com base na contagem celular.

Por que a cefalosporina de terceira geração é o antibiótico de escolha para PBE?

Cefalosporinas de terceira geração, como a cefotaxima, são eficazes contra os patógenos mais comuns na PBE (principalmente bacilos Gram-negativos entéricos) e possuem boa penetração no líquido ascítico, sendo a terapia empírica de primeira linha.

Como diferenciar PBE de peritonite bacteriana secundária?

A PBE ocorre sem uma fonte intra-abdominal cirúrgica, enquanto a peritonite secundária é devido a uma perfuração ou infecção intra-abdominal. Critérios como múltiplos organismos na cultura, alta contagem de neutrófilos (>10.000/mm³), e altos níveis de proteínas e glicose no líquido ascítico sugerem peritonite secundária.

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