HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 46 anos, previamente etilista e portador de cirrose. É admitido por dor abdominal, aumento de volume abdominal e inapetência há 1 semana. Nega febre, trauma ou sangramentos. Ao exame: REG, PA: 90x60 mmHg, FC: 108 bpm, FR: 20 irpm, abdome distendido, ascítico, sem sinais de peritonite, ausculta cardiopulmonar fisiológica, edema MMII ++/4.Qual o melhor exame para investigação do quadro?
Cirrótico com ascite e dor abdominal/piora clínica (mesmo sem febre) → suspeitar PBE = paracentese diagnóstica urgente.
Em pacientes cirróticos com ascite, qualquer piora clínica, como dor abdominal, aumento do volume ascítico, febre ou encefalopatia, deve levantar a suspeita de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE). A paracentese diagnóstica é o exame padrão-ouro para confirmar ou excluir PBE, analisando o líquido ascítico para contagem de neutrófilos.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção comum e grave do líquido ascítico em pacientes com cirrose, ocorrendo na ausência de uma fonte intra-abdominal de infecção cirurgicamente tratável. É uma das complicações mais sérias da cirrose, com alta taxa de mortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A suspeita de PBE deve surgir em qualquer paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, sensibilidade abdominal, alteração do estado mental, sangramento gastrointestinal, choque ou piora da função renal. No entanto, a PBE pode ser oligossintomática, como no caso apresentado, onde a dor abdominal e o aumento do volume ascítico são os principais sinais. O diagnóstico definitivo da PBE é feito pela paracentese diagnóstica, que envolve a coleta de líquido ascítico para análise. O critério diagnóstico principal é a contagem de neutrófilos no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³. Outros exames do líquido incluem cultura, proteínas e albumina. O tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente após a coleta do líquido, sem aguardar os resultados da cultura, devido à gravidade da condição.
O diagnóstico de PBE é confirmado pela contagem de neutrófilos no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³. A cultura do líquido ascítico também é importante, mas o tratamento empírico deve ser iniciado sem aguardar o resultado.
A paracentese diagnóstica é crucial para identificar a causa da ascite e, principalmente, para diagnosticar infecções como a PBE, que requerem tratamento imediato para evitar complicações graves e reduzir a mortalidade.
Os principais fatores de risco incluem sangramento gastrointestinal, episódios prévios de PBE, níveis baixos de proteína no líquido ascítico (< 1 g/dL) e disfunção hepática avançada.
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