HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2022
A PBE (Peritonite Bacteriana Espontânea) é uma frequente complicação no paciente cirrótico. Dentre as alternativas abaixo, qual contém os patógenos mais envolvidos nesta etiologia?
PBE em cirróticos: principais patógenos = Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae.
A PBE é uma infecção comum do líquido ascítico em pacientes com cirrose, sem foco infeccioso intra-abdominal evidente. Os agentes etiológicos mais frequentes são bactérias gram-negativas entéricas, com destaque para Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, que translocam do intestino para a cavidade peritoneal.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave e frequente da cirrose hepática com ascite, caracterizada pela infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal cirúrgica evidente. Sua incidência é alta em pacientes cirróticos, e a mortalidade associada é significativa, tornando seu reconhecimento e tratamento precoces cruciais. A PBE é um marcador de descompensação hepática e pior prognóstico, exigindo alta vigilância. A fisiopatologia da PBE envolve a translocação bacteriana do intestino para os linfonodos mesentéricos e, subsequentemente, para o líquido ascítico, facilitada pela disfunção imune, estase intestinal e pela permeabilidade intestinal aumentada em cirróticos. Os patógenos mais comumente envolvidos são bactérias gram-negativas entéricas, com Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae respondendo pela maioria dos casos. Outros agentes, como Streptococcus spp., também podem ser encontrados. A suspeita clínica deve surgir em qualquer paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, alteração do estado mental, deterioração da função renal ou leucocitose. O tratamento da PBE consiste em antibioticoterapia empírica imediata, geralmente com cefalosporinas de terceira geração, e albumina intravenosa para prevenir a síndrome hepatorrenal, uma complicação grave. O prognóstico melhorou com o diagnóstico e tratamento precoces, mas a PBE ainda representa um risco significativo de recorrência e mortalidade. A profilaxia é fundamental para pacientes de alto risco, visando reduzir a recorrência e melhorar a sobrevida. Residentes devem estar atentos aos sinais e sintomas, bem como aos critérios diagnósticos e manejo adequado desta condição.
O diagnóstico de PBE é feito pela análise do líquido ascítico, com contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³ na ausência de uma fonte de infecção intra-abdominal cirúrgica. A cultura do líquido ascítico é importante, mas o diagnóstico pode ser feito mesmo com cultura negativa.
O tratamento empírico inicial para PBE geralmente envolve antibióticos de amplo espectro que cobrem gram-negativos, como cefotaxima ou ceftriaxona, por via intravenosa. A administração de albumina intravenosa também é recomendada para prevenir a síndrome hepatorrenal.
A profilaxia primária é indicada para pacientes com ascite e proteínas no líquido ascítico < 1,5 g/dL, ou sangramento gastrointestinal. A profilaxia secundária é para aqueles que já tiveram um episódio de PBE, utilizando norfloxacino ou ciprofloxacino oral de forma contínua.
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