USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente masculino, 53 anos, portador de cirrose hepática por hepatite C, em uso de furosemida e aguardando transplante hepático. Há três dias apresentou temperatura de 38,4 ºC e aumento do volume abdominal. Posteriormente tornou-se confuso, desorientado, com flapping e sonolência. Os exames na sala de emergência mostraram: Hb: 11,7 g/dL; leucócitos: 5.670/mm³; plaquetas 120.000/mm³; ureia 72 mg/dl; creatinina 1,5 mg/dL; glicose 110 mg/dL; Na⁺ 128 mEqg/L; K⁺ 2,8 meqg/L, C𝓁⁻ 101 mEg/L. Assinale qual é a conduta mais adequada na admissão.
Cirrótico com febre e ascite → PBE; confusão e flapping → Encefalopatia Hepática. Conduta: investigar infecção, corrigir eletrólitos, tratar EH.
O paciente cirrótico apresenta um quadro complexo de descompensação, com sinais de peritonite bacteriana espontânea (febre, aumento do volume abdominal), encefalopatia hepática (confusão, flapping) e distúrbios eletrolíticos (hiponatremia, hipocalemia). A conduta inicial deve abordar essas emergências.
A cirrose hepática é uma condição crônica que pode levar a múltiplas descompensações, como ascite, peritonite bacteriana espontânea (PBE) e encefalopatia hepática (EH). A PBE é uma infecção grave do líquido ascítico, frequentemente monobacteriana, que se manifesta com febre, dor abdominal e piora do estado geral, sendo uma das principais causas de mortalidade em cirróticos. A encefalopatia hepática é uma síndrome neuropsiquiátrica que ocorre devido à incapacidade do fígado de metabolizar toxinas, como a amônia, levando a alterações de consciência e comportamento. Distúrbios eletrolíticos, como hiponatremia dilucional e hipocalemia, são comuns em cirróticos, especialmente aqueles em uso de diuréticos, e podem agravar a EH ou a função renal. O manejo de um paciente cirrótico descompensado exige uma abordagem multifacetada. A suspeita de PBE requer paracentese diagnóstica e início imediato de antibióticos empíricos (ex: cefotaxima). A EH é tratada com lactulose para reduzir a produção e absorção de amônia. A correção de eletrólitos e a avaliação da função renal são essenciais para estabilizar o paciente e prevenir complicações adicionais.
Sinais de alerta incluem febre, dor abdominal, aumento do volume abdominal, sensibilidade abdominal, alteração do estado mental e deterioração da função renal. A paracentese diagnóstica é crucial.
A conduta imediata envolve paracentese diagnóstica para PBE (iniciar antibióticos empíricos), correção de distúrbios eletrolíticos (como hipocalemia) e tratamento da encefalopatia hepática com lactulose ou rifaximina.
A hipocalemia pode precipitar ou agravar a encefalopatia hepática, pois a alcalose metabólica associada aumenta a conversão de amônia em amônio, que pode atravessar a barreira hematoencefálica, além de potencializar a ação de diuréticos.
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