Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Manejo Urgente

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 53 anos, portador de cirrose hepática, com ascite, em uso de furosemida e aguardando transplante hepático, há três dias apresentou temperatura axilar de 38,4 ºC. Posteriormente tornou-se confuso, desorientado, e evoluiu para rebaixamento importante do nível de consciência. No exame físico havia flapping. Exames feitos na sala de emergência mostraram: Ureia 52mg/dl; Creatinina 1,3mg/dl; glicose 110mg/dl; Na 130mmol/l; K 2,8mmol/l; Cl 101mmol/l. Nesse caso, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) corrigir o distúrbio eletrolítico, investigar estado infeccioso e administrar lactulose.
  2. B) aumentar o diurético, repor potássio por via parenteral e prescrever norfloxacina.
  3. C)  administrar bicarbonato de sódio, manter a furosemida e associar lactulose e neomicina por via oral.
  4. D) indicar terapêutica renal substitutiva com hemodiálise intermitente.
  5. E) fazer paracentese abdominal e administrar albumina concentrada e vitamina K parenteral.

Pérola Clínica

Cirrótico com ascite + febre + alteração nível consciência → suspeitar PBE e encefalopatia → paracentese diagnóstica e tratamento.

Resumo-Chave

Em pacientes cirróticos com ascite, febre e alteração do nível de consciência, a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave e deve ser prontamente investigada com paracentese diagnóstica. A encefalopatia hepática também é comum e pode ser precipitada por infecções como a PBE.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma doença crônica e progressiva do fígado que leva à fibrose e disfunção hepática, frequentemente complicada por ascite. A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal evidente, sendo uma das complicações mais temidas da cirrose, com alta mortalidade se não tratada prontamente. A encefalopatia hepática é outra complicação comum, frequentemente precipitada por infecções. A PBE deve ser suspeitada em qualquer paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, alteração do estado mental (encefalopatia hepática), ou deterioração da função renal. O diagnóstico é feito por paracentese diagnóstica, com contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³. A encefalopatia hepática, manifestada por confusão e flapping, é frequentemente precipitada por infecções, distúrbios eletrolíticos (como hipocalemia) e sangramento gastrointestinal. A conduta mais adequada inclui a realização da paracentese diagnóstica para confirmar a PBE e iniciar antibioticoterapia empírica de largo espectro (geralmente cefalosporinas de terceira geração) o mais rápido possível. A administração de albumina intravenosa é crucial para prevenir a síndrome hepatorrenal. A correção de distúrbios eletrolíticos, como hipocalemia, e o tratamento da encefalopatia com lactulose também são importantes, mas a PBE é a prioridade imediata que pode salvar a vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é confirmado pela paracentese diagnóstica, que revela uma contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, na ausência de uma fonte cirúrgica de infecção intra-abdominal. A cultura do líquido ascítico também é importante.

Por que a albumina é administrada no tratamento da PBE?

A administração de albumina intravenosa é recomendada no tratamento da PBE para prevenir a síndrome hepatorrenal, uma complicação grave associada à infecção e à disfunção circulatória em pacientes cirróticos. Ela melhora a perfusão renal e o prognóstico.

Quais são os fatores precipitantes comuns da encefalopatia hepática em cirróticos?

Fatores precipitantes incluem infecções (como PBE), sangramento gastrointestinal, constipação, uso de diuréticos em excesso (levando a distúrbios eletrolíticos como hipocalemia), desidratação, consumo excessivo de proteínas e uso de sedativos.

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