Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Tratamento Imediato

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Paciente portador de cirrose hepática por vírus C evolui com distensão abdominal e encefalopatia hepática grau 2. Submetido a paracentese diagnóstica com análise do líquido ascítico revelando presença de polimorfonucleares = 380/mm³, bacterioscopia negativa e cultura em andamento.A conduta mais indicada é:

Alternativas

  1. A) repetir a paracentese em 24 horas.
  2. B) iniciar com ceftriaxone.
  3. C) aguardar as culturas e repetir a paracentese caso haja piora do grau da encefalopatia hepática.
  4. D) iniciar com caspofungina.
  5. E) realizar controle ultrassonográfico somente.

Pérola Clínica

PMN ≥ 250/mm³ no líquido ascítico em cirrótico → PBE provável → iniciar ATB empírico (ceftriaxone).

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave da cirrose com ascite. A contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250/mm³ no líquido ascítico é diagnóstica, e o tratamento empírico com cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxone) deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar resultados de cultura, devido à alta mortalidade.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico que ocorre em pacientes com cirrose hepática e ascite, sem uma fonte intra-abdominal evidente de infecção. É uma complicação comum e associada a alta morbidade e mortalidade, sendo um marcador de descompensação avançada da cirrose. O diagnóstico de PBE é estabelecido pela contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico igual ou superior a 250 células/mm³. Sintomas como febre, dor abdominal, piora da ascite, encefalopatia hepática ou insuficiência renal devem levantar a suspeita. A bacterioscopia pode ser negativa e a cultura pode levar dias para positivar, mas a conduta terapêutica não deve ser atrasada. O tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro, como as cefalosporinas de terceira geração (ex: ceftriaxone ou cefotaxima), deve ser iniciado imediatamente após a paracentese diagnóstica, sem aguardar os resultados da cultura. A administração de albumina intravenosa também é recomendada em pacientes com PBE para prevenir a síndrome hepatorrenal. A pronta identificação e tratamento são cruciais para melhorar o prognóstico desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual o critério diagnóstico para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O critério diagnóstico principal para PBE é a contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico igual ou superior a 250 células/mm³, na ausência de uma fonte de infecção intra-abdominal cirúrgica.

Por que o tratamento da PBE deve ser iniciado empiricamente e sem demora?

O tratamento da PBE deve ser iniciado empiricamente e imediatamente devido à alta taxa de mortalidade associada à condição. A espera pelos resultados da cultura pode atrasar o tratamento e piorar o prognóstico do paciente.

Qual o antibiótico de escolha para o tratamento empírico da PBE?

O antibiótico de escolha para o tratamento empírico da PBE é uma cefalosporina de terceira geração, como ceftriaxone ou cefotaxima, devido à sua eficácia contra os patógenos mais comuns (enterobactérias).

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