Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Critérios

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 45 anos de idade, com diagnóstico prévio de cirrose hepática, apresenta, há três dias, febre alta, dor abdominal e confusão mental. Ao exame físico, observa-se abdome globoso, ascítico e com dor à descompressão brusca. Com base nesse caso hipotético e nos conceitos médicos a ele relacionados, julgue o item a seguir. A peritonite bacteriana espontânea é definida pela presença de linfócitos mononucleares no líquido ascítico e no gradiente de albumina sérica/ascítico < 1,1.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

PBE = PMN ≥ 250 células/mm³ no líquido ascítico, não linfócitos. SAAG > 1,1 indica hipertensão portal.

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave da cirrose com ascite, caracterizada por infecção do líquido ascítico sem foco intra-abdominal evidente. O diagnóstico definitivo é feito pela contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, e não por linfócitos. O SAAG é usado para diferenciar a causa da ascite, não para diagnosticar PBE.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave e comum em pacientes com cirrose hepática e ascite, representando uma infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal cirúrgica evidente. Sua alta morbimortalidade exige reconhecimento e tratamento precoces. A PBE deve ser suspeitada em qualquer paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, confusão mental ou deterioração clínica inexplicada. O diagnóstico definitivo da PBE é estabelecido pela análise do líquido ascítico obtido por paracentese. O critério mais importante é a contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³. É um erro comum confundir PMN com linfócitos para este diagnóstico. A cultura do líquido ascítico é importante para identificar o agente etiológico, mas o tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro (como cefotaxima) deve ser iniciado imediatamente após a coleta, sem aguardar os resultados da cultura. O Gradiente Albumina Sérica-Ascítica (SAAG) é uma ferramenta diagnóstica essencial para determinar a etiologia da ascite, mas não é um critério para PBE. Um SAAG ≥ 1,1 g/dL indica ascite por hipertensão portal, enquanto um SAAG < 1,1 g/dL sugere outras causas. O prognóstico da PBE é reservado, com alta taxa de recorrência, o que justifica a profilaxia secundária em pacientes que sobreviveram a um episódio. O manejo adequado da PBE é crucial para residentes que lidam com pacientes hepatopatas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

Os sinais e sintomas incluem febre, dor abdominal, confusão mental (encefalopatia hepática), piora da ascite e, em alguns casos, hipotensão. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente cirrótico com ascite e deterioração clínica.

Qual o critério diagnóstico laboratorial para PBE no líquido ascítico?

O critério diagnóstico laboratorial principal para PBE é a contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico igual ou superior a 250 células/mm³. A cultura do líquido ascítico pode ser positiva, mas o tratamento empírico deve ser iniciado com base na contagem de PMN.

Qual a importância do Gradiente Albumina Sérica-Ascítica (SAAG) na avaliação da ascite?

O SAAG é crucial para diferenciar a causa da ascite. Um SAAG ≥ 1,1 g/dL indica ascite por hipertensão portal (como na cirrose), enquanto um SAAG < 1,1 g/dL sugere outras causas, como carcinomatose peritoneal ou tuberculose peritoneal.

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