Agentes Etiológicos da Peritonite Bacteriana Espontânea

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 45 anos de idade, com diagnóstico prévio de cirrose hepática, apresenta, há três dias, febre alta, dor abdominal e confusão mental. Ao exame físico, observa-se abdome globoso, ascítico e com dor à descompressão brusca. Com base nesse caso hipotético e nos conceitos médicos a ele relacionados, julgue o item a seguir. Os agentes etiológicos mais comuns de peritonite bacteriana espontânea são as bactérias anaeróbias.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

PBE = Monobacteriana + Gram-negativos entéricos (E. coli é o principal). Anaeróbios são raros.

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é causada principalmente por translocação de bactérias aeróbias da flora intestinal. Anaeróbios não encontram ambiente favorável no líquido ascítico oxigenado.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave e frequente em pacientes com cirrose e ascite, associada a alta mortalidade se não tratada precocemente. Sua patogênese está intimamente ligada à translocação bacteriana, onde bactérias da luz intestinal atravessam a barreira mucosa para os linfonodos mesentéricos e, posteriormente, para a corrente sanguínea e líquido ascítico. Devido ao déficit de atividade opsonizante no líquido ascítico de cirróticos, essas bactérias proliferam. O tratamento empírico deve cobrir Gram-negativos entéricos, sendo as cefalosporinas de 3ª geração (como Cefotaxima ou Ceftriaxone) a primeira escolha. A profilaxia (primária ou secundária) com norfloxacino é indicada em subgrupos de alto risco para reduzir a recorrência e melhorar a sobrevida.

Perguntas Frequentes

Quais são os patógenos mais comuns na PBE?

Os agentes etiológicos mais frequentes na Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) são as bactérias Gram-negativas aeróbias de origem entérica, sendo a Escherichia coli a mais comum, seguida pela Klebsiella pneumoniae. Entre os Gram-positivos, o Streptococcus pneumoniae e outros estreptococos também podem ser isolados. Diferente da peritonite secundária, a PBE é caracteristicamente monobacteriana.

Por que anaeróbios são raros na PBE?

Bactérias anaeróbias raramente causam PBE devido à pressão parcial de oxigênio no líquido ascítico, que costuma ser suficiente para inibir o crescimento desses microrganismos. Além disso, a fisiopatologia da PBE envolve a translocação bacteriana através da mucosa intestinal e disseminação hematogênica, processo no qual os aeróbios entéricos têm maior facilidade de sobrevivência e replicação no compartimento peritoneal.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da PBE?

O diagnóstico é realizado através da paracentese diagnóstica com análise do líquido ascítico. O critério principal é a contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³. A cultura do líquido (preferencialmente em frascos de hemocultura à beira do leito) deve ser solicitada para identificação do agente e teste de sensibilidade, embora em muitos casos a cultura possa ser negativa (PBE cultura-negativa).

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