Síndrome Nefrótica: Peritonite Bacteriana Espontânea

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Menino de 5 anos com diagnóstico de síndrome nefrótica é levado para atendimento com quadro de dor abdominal intensa, de início há duas horas. Vinha em redução da dose de corticoterapia. Ao exame físico, está em regular estado geral, com fáscies de dor, abdômen tenso, com dor à palpação superficial e descompressão dolorosa. Ausculta cardíaca e respiratória sem alterações. Há edema bipalpebral e de membros inferiores. O EAS mostra ausência de piúria ou hematúria. O spot urinário evidencia proteinúria nefrótica. O agente etiológico mais provável para o quadro é:

Alternativas

  1. A) Streptococcus pneumoniae
  2. B) Staphylococcus aureus
  3. C) Klebsiella pneumoniae
  4. D) Proteus mirabilis
  5. E) Clamidea tracomatis

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica + dor abdominal aguda = suspeitar PBE; agente mais comum é S. pneumoniae.

Resumo-Chave

Pacientes com síndrome nefrótica, especialmente em uso ou redução de corticoterapia, são imunocomprometidos e têm maior risco de infecções. A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma complicação grave, sendo o Streptococcus pneumoniae o agente etiológico mais comum em crianças.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, a forma mais comum é a doença de lesões mínimas. Pacientes com síndrome nefrótica são particularmente suscetíveis a infecções devido a múltiplos fatores, incluindo a perda de imunoglobulinas na urina, disfunção de linfócitos T, e o uso de imunossupressores como os corticosteroides. A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma das complicações infecciosas mais graves e frequentes. A fisiopatologia da PBE na síndrome nefrótica envolve a translocação bacteriana do intestino para o líquido ascítico, facilitada pela hipoalbuminemia e pela redução da opsonização. O agente etiológico mais comum é o Streptococcus pneumoniae, seguido por bactérias Gram-negativas entéricas. O quadro clínico típico inclui dor abdominal intensa, febre, náuseas, vômitos e sinais de irritação peritoneal. O diagnóstico é confirmado por paracentese com análise do líquido ascítico, que geralmente mostra contagem de neutrófilos > 250 células/mm³ e cultura positiva. O tratamento da PBE é uma emergência médica e deve ser iniciado prontamente com antibióticos de amplo espectro, como cefalosporinas de terceira geração. A prevenção é fundamental e pode incluir vacinação antipneumocócica e, em casos selecionados, profilaxia antibiótica. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para melhorar o prognóstico e reduzir a morbimortalidade associada a esta complicação.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para peritonite bacteriana espontânea em síndrome nefrótica?

Os principais fatores de risco incluem o próprio estado de imunocomprometimento da síndrome nefrótica, hipoalbuminemia grave, ascite e o uso de corticoterapia, que suprime a resposta imune.

Como diferenciar peritonite bacteriana espontânea de outras causas de dor abdominal em crianças com síndrome nefrótica?

A PBE geralmente se apresenta com dor abdominal difusa, febre, náuseas, vômitos e sinais de irritação peritoneal. Outras causas, como apendicite, podem ter dor mais localizada. A paracentese diagnóstica é crucial para confirmar a PBE.

Qual o tratamento inicial para peritonite bacteriana espontânea em síndrome nefrótica?

O tratamento inicial consiste em antibioticoterapia empírica de amplo espectro que cubra Streptococcus pneumoniae e bactérias Gram-negativas, como cefalosporinas de terceira geração (ex: cefotaxima ou ceftriaxona), além de suporte clínico.

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