Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico em Cirróticos

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 48 anos com hepatite C crônica, cirrose e ascite vem a consulta médica após dois dias de confusão mental. Ele nega febre, calafrios, hematêmese ou melena. Ao exame físico, sua temperatura é de 35,5ºC, a pressão arterial 90/60 mmHg, freqüência cardíaca de 100 batimentos por minutos, freqüência respiratória de 30 irpm. Ele está confuso e agitado, com presença de asterixis. Seu abdome apresenta ascite tensa, mas indolor, suas fezes estão negativas para sangue. Seus exames laboratoriais incluem leucócitos 8.600, creatinina 2,1 (anteriormente 0,8), e bilirrubina 7,7 (previamente 2,3). Ele está eliminando apenas pequenas quantidades de urina, mas seu exame de urina é normal. Qual dos seguintes é o procedimento indicado para a conclusão?

Alternativas

  1. A) Parecentese diagnóstica e hemoculturas;
  2. B) Paracentese de grande volume;
  3. C) Endoscopia;
  4. D) TC de crânio;
  5. E) Ultrassonografia renal;

Pérola Clínica

Cirrótico com ascite, febre/confusão e piora renal → PBE até prova em contrário. Paracentese diagnóstica é essencial.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um paciente cirrótico com ascite, confusão mental (encefalopatia), hipotensão, taquicardia, taquipneia e piora da função renal, mesmo sem febre evidente, é altamente sugestivo de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) com possível sepse associada. A paracentese diagnóstica é o procedimento chave para confirmar a PBE, e hemoculturas são importantes para identificar o agente etiológico da sepse.

Contexto Educacional

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção comum e grave em pacientes com cirrose e ascite, associada a alta morbimortalidade. É uma das principais causas de descompensação aguda em cirróticos, manifestando-se frequentemente com febre, dor abdominal, mas também com sinais mais sutis como piora da encefalopatia hepática, insuficiência renal ou choque, mesmo na ausência de sintomas abdominais clássicos. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para o líquido ascítico, facilitada pela disfunção da barreira intestinal e pela imunodeficiência associada à cirrose. O diagnóstico precoce é fundamental, pois o atraso no tratamento aumenta significativamente a mortalidade. A paracentese diagnóstica é o pilar do diagnóstico, com a contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico sendo o principal critério. O manejo da PBE inclui antibioticoterapia empírica imediata (geralmente cefalosporinas de terceira geração) e medidas de suporte. A profilaxia secundária é indicada após o primeiro episódio. É crucial que residentes reconheçam a PBE como uma emergência médica e saibam realizar a paracentese e interpretar seus resultados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para PBE em pacientes cirróticos?

Sinais de alerta incluem febre, dor abdominal, sensibilidade abdominal, alteração do estado mental (encefalopatia), hipotensão, taquicardia, piora da função renal e leucocitose, mesmo na ausência de febre.

Por que a paracentese diagnóstica é crucial na suspeita de PBE?

A paracentese diagnóstica permite a análise do líquido ascítico para contagem de neutrófilos (PMN > 250 células/mm³) e cultura, confirmando a PBE e orientando o tratamento antibiótico adequado.

Como diferenciar PBE de outras causas de descompensação em cirróticos?

A PBE deve ser sempre investigada em qualquer descompensação aguda de cirróticos. A diferenciação é feita pela paracentese, que exclui outras causas como hemorragia digestiva, encefalopatia por outras causas ou síndrome hepatorrenal isolada.

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