INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025
Homem de 46 anos, infectado cronicamente pelo vírus B da hepatite e portador de cirrose, é admitido por dor e aumento de volume abdominal, além de inapetência há uma semana. Nega febre, trauma ou sangramentos. Ao exame: REG, PA 90x60 mmHg, FC 108 bpm, FR 20 irpm, abdome distendido, ascítico, sem sinais de peritonite, ausculta cardiopulmonar fisiológica, edema MMII ++/4. Resultados de exames demonstraram Hb 11,1 g/dL, leucócitos 10.850/mm³, plaquetas 98.000/mm³. Ultrassonografia e tomografia computadorizada de abdome demonstraram fígado de dimensões reduzidas, esplenomegalia e volumosa ascite. Líquido ascítico com 460 células/mm³, 80% de polimorfonucleares, coloração de Gram sem bactérias visíveis por ora, cultura em análise. Assinale qual a melhor conduta.
PBE: PMN > 250/mm³ no líquido ascítico. Tratar com ATB (ceftriaxona) + Albumina para prevenir SHR.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave da cirrose, diagnosticada por > 250 polimorfonucleares/mm³ no líquido ascítico. A conduta imediata inclui antibioticoterapia empírica (ceftriaxona) e expansão volêmica com albumina para prevenir a síndrome hepatorenal, uma complicação fatal.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico em pacientes com cirrose, sem fonte intra-abdominal de infecção cirúrgica. É uma das principais causas de descompensação e mortalidade em cirróticos, com uma incidência anual de 10-30% em pacientes com ascite. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para melhorar o prognóstico. A PBE é uma emergência médica que exige internação hospitalar e manejo agressivo. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana do intestino para a circulação sistêmica e, subsequentemente, para o líquido ascítico, devido à disfunção da barreira intestinal e à imunodeficiência associada à cirrose. O diagnóstico é estabelecido pela análise do líquido ascítico, com contagem de polimorfonucleares (PMN) > 250 células/mm³. A cultura do líquido ascítico é importante, mas o tratamento empírico não deve ser atrasado. O tratamento da PBE consiste em antibioticoterapia empírica, geralmente com cefalosporinas de terceira geração como a ceftriaxona, e infusão de albumina intravenosa. A albumina é fundamental para prevenir a Síndrome Hepatorrenal (SHR), uma complicação renal grave que aumenta significativamente a mortalidade. A profilaxia secundária com norfloxacino ou ciprofloxacino é indicada após o primeiro episódio de PBE.
O diagnóstico de PBE é confirmado pela contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico, que deve ser superior a 250 células/mm³. Sintomas como dor abdominal, febre e alteração do estado mental também são sugestivos.
A albumina é administrada para prevenir a Síndrome Hepatorrenal (SHR), uma complicação grave da PBE. Ela é indicada em pacientes com creatinina > 1 mg/dL, bilirrubina > 4 mg/dL ou ureia > 30 mg/dL.
A ceftriaxona intravenosa é o antibiótico de primeira linha para PBE, devido à sua ampla cobertura contra bactérias gram-negativas entéricas, que são os principais patógenos envolvidos, e boa penetração no líquido ascítico.
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