Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico em Cirrose Hepática

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025

Enunciado

A hipertensão portal é uma anormalidade hemodinâmica associada às mais graves complicações da cirrose hepatica, como ascite, encefalopatia hepática, desenvolvimento de circulação colateral e sangramento digestivo por rotura de varizes de esôfago. O manejo e, principalmente, a prevenção dessas complicações impactam diretamente na sobrevida dos pacientes cirróticos. Assinale a alternativa a informação CORRETA.

Alternativas

  1. A) O manejo do paciente com hemorragia digestiva alta (HAD) varicosa tem como meta manter pressão arterial média (PAM) < 60 mm Hg, com a finalidade de evitar ressangramento.
  2. B) A Classificação de Child PughTurcotte é a mais frequentemente utilizada para avaliar a gravidade dos pacientes cirróticos e se baseia em parâmetros como dosagem de creatinina, o tempo de protrombina ou da reação normalizada internacional (INR) e bilirrubina.
  3. C) Peritonite bacteriana espontânea (PBE) é a infecção mais característica do paciente com cirrose hepática, ocorrendo infecção do líquido ascítico na ausência de foco séptico intra-abdominal.
  4. D) Síndrome hepatorrenal tem como definição a insuficiência renal que se desenvolve no paciente cirrótico em estágio terminal de doença, com elevação progressiva nos níveis de creatinina e anúria.
  5. E) Encefalopatia hepática representa uma complicação decorrente da insuficiência hepatica, levando à incapacidade do fígado em metabolizar a amônia, ocorrendo, portanto, em pacientes em estágio final de doença.

Pérola Clínica

PBE = infecção líquido ascítico sem foco intra-abdominal em cirrótico.

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave e comum da cirrose com ascite, caracterizada pela infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal evidente, sendo um diagnóstico de exclusão e uma causa importante de morbimortalidade.

Contexto Educacional

A hipertensão portal é uma das consequências mais graves da cirrose hepática, levando a uma série de complicações que impactam significativamente a morbimortalidade dos pacientes. Entre elas, a ascite é a mais comum, e sua presença predispõe a infecções, sendo a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) a mais característica e temida. A PBE é definida como a infecção do líquido ascítico na ausência de um foco séptico intra-abdominal identificável. Sua fisiopatologia envolve translocação bacteriana do intestino para a circulação sistêmica e, posteriormente, para o líquido ascítico, facilitada pela imunodeficiência associada à cirrose. O diagnóstico é feito pela análise do líquido ascítico, com contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³. O manejo da PBE é crucial, com tratamento antibiótico empírico imediato e profilaxia secundária para evitar recorrências. A compreensão das complicações da hipertensão portal, como PBE, encefalopatia hepática e sangramento varicoso, é fundamental para o residente, pois o reconhecimento precoce e a intervenção adequada são pilares para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes cirróticos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

O diagnóstico de PBE é feito pela análise do líquido ascítico, que mostra contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³ na ausência de uma fonte de infecção intra-abdominal.

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de PBE em pacientes cirróticos?

Os principais fatores de risco incluem ascite de grande volume, baixos níveis de proteína no líquido ascítico, hemorragia digestiva alta e episódios prévios de PBE.

Qual é o tratamento inicial para PBE e como prevenir sua recorrência?

O tratamento inicial é com antibióticos de amplo espectro (ex: cefotaxima). A prevenção de recorrência envolve profilaxia com norfloxacino ou ciprofloxacino em pacientes de alto risco.

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