Peritonite Bacteriana Espontânea: Diagnóstico e Manejo na Cirrose

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 56 anos de idade com diagnóstico prévio de cirrose hepática de etiologia metabólica comparece ao pronto atendimento com quadro de aumento do volume abdominal, confusão mental e piora da icterícia. Os exames laboratoriais demonstram piora da função renal (creatinina basal=0,9 mg/dL; creatinina atual=2,1 mg/dL), leucocitose e elevação de proteína C reativa. Em relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a conduta CORRETA.

Alternativas

  1. A) Realizar expansão volêmica com ringer lactato devido a disfunção renal.
  2. B) Iniciar diurético venoso para melhor controle da ascite.
  3. C) Iniciar antibiótico de amplo espectro.
  4. D) Realizar paracentese diagnóstica e expansão com albumina venosa.

Pérola Clínica

Cirrose + ascite + febre/dor/confusão + leucocitose = PBE → Paracentese + Albumina + ATB.

Resumo-Chave

O quadro de cirrose descompensada com ascite, confusão mental, piora da função renal e sinais inflamatórios (leucocitose, PCR elevada) é altamente sugestivo de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE). A conduta inicial e mais importante é a paracentese diagnóstica para confirmar a infecção do líquido ascítico e iniciar o tratamento adequado, incluindo albumina venosa para prevenir a síndrome hepatorrenal.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma doença crônica e progressiva que leva à descompensação e a diversas complicações, sendo a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) uma das mais graves. A PBE é uma infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal evidente, com alta mortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. Sua incidência é significativa em pacientes com cirrose e ascite, tornando seu reconhecimento e manejo um tópico fundamental na residência médica. O quadro clínico pode ser sutil, exigindo alto índice de suspeita.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas que levantam a suspeita de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) em um paciente cirrótico?

A suspeita de PBE deve surgir em pacientes cirróticos com ascite que apresentam febre, dor abdominal, sensibilidade abdominal, alteração do estado mental (encefalopatia), piora da função renal, ou leucocitose inexplicada. A ausência de um foco infeccioso evidente fora da ascite é característica.

Por que a paracentese diagnóstica é a conduta CORRETA e qual seu papel no manejo da PBE?

A paracentese diagnóstica é crucial para confirmar a PBE, avaliando a contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico (≥ 250 células/mm³). Ela permite iniciar o tratamento empírico com antibióticos e albumina venosa precocemente, reduzindo a morbimortalidade e prevenindo complicações como a síndrome hepatorrenal.

Qual a importância da administração de albumina venosa no tratamento da PBE?

A albumina venosa é administrada em conjunto com antibióticos para prevenir a síndrome hepatorrenal, uma complicação grave da PBE. Ela ajuda a manter a volemia e a perfusão renal, melhorando o prognóstico dos pacientes cirróticos com infecção do líquido ascítico.

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