Peritonite Bacteriana Espontânea: Patogênese e Agentes

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023

Enunciado

A peritonite é a inflamação do peritônio e da cavidade peritoneal mais frequentemente associada à infecção localizada ou generalizada. Assinale a alternativa correta em relação a essa entidade.

Alternativas

  1. A) A peritonite primária consiste na infecção causada por bactérias, fungos ou micobactérias na presença de perfuração do trato gastrointestinal.
  2. B) A análise do líquido ascítico na peritonite bacteriana espontânea apresenta uma contagem menor de 250 neutrófilos/mm³ associada à febre e dor abdominal num paciente com ascite de alto teor proteico.
  3. C) A peritonite tuberculosa é uma doença que apresenta quadro agudo e exuberante. Trata-se da manifestação mais comum de tuberculose extrapulmonar e ocorre devido à reativação de focos peritoneais latentes.
  4. D) A patogênese da peritonite bacteriana espontânea permanece desconhecida, embora existam evidências de que a translocação bacteriana desempenhe papel importante. Os patógenos mais comuns nos adultos são os aeróbios entéricos: Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae.
  5. E) A peritonite associada à diálise peritoneal é tratada com a administração de antibióticos intravenosos de amplo espectro e não necessita da remoção do cateter, mesmo em casos recorrentes ou persistentes.

Pérola Clínica

PBE → translocação bacteriana em cirróticos com ascite; patógenos + comuns: E. coli e K. pneumoniae.

Resumo-Chave

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma infecção do líquido ascítico em pacientes com doença hepática crônica, sem foco infeccioso intra-abdominal evidente. Sua patogênese envolve a translocação bacteriana do intestino para a cavidade peritoneal, sendo os aeróbios entéricos (E. coli, K. pneumoniae) os agentes mais comuns.

Contexto Educacional

A peritonite é a inflamação do peritônio, a membrana que reveste a cavidade abdominal e os órgãos internos. Ela pode ser classificada em primária, secundária ou terciária, dependendo da etiologia. A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é um tipo de peritonite primária, caracterizada pela infecção do líquido ascítico em pacientes com doença hepática crônica e ascite, sem uma fonte intra-abdominal de infecção evidente. A patogênese da PBE não é totalmente compreendida, mas a teoria mais aceita envolve a translocação bacteriana, onde bactérias do intestino migram através da parede intestinal para os linfonodos mesentéricos e, eventualmente, para o líquido ascítico. A disfunção imunológica e a permeabilidade intestinal aumentada em pacientes cirróticos contribuem para esse processo. Os patógenos mais comuns são os aeróbios entéricos, como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, responsáveis pela maioria dos casos. O diagnóstico da PBE é crucial e baseia-se na análise do líquido ascítico, que revela uma contagem de neutrófilos polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³. O tratamento envolve a administração de antibióticos de amplo espectro, como cefotaxima, e a profilaxia secundária para prevenir recorrências. A PBE é uma complicação grave da cirrose, associada a alta morbidade e mortalidade, ressaltando a importância do diagnóstico e tratamento precoces.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre peritonite primária e secundária?

A peritonite primária (PBE) ocorre sem uma fonte intra-abdominal evidente de infecção, geralmente em pacientes com ascite e cirrose. A peritonite secundária resulta de uma perfuração ou inflamação de uma víscera oca, como apendicite perfurada ou diverticulite.

Quais são os patógenos mais frequentemente isolados na Peritonite Bacteriana Espontânea?

Os patógenos mais comuns na PBE são bactérias aeróbias entéricas, principalmente Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, que se translocam do intestino para o líquido ascítico.

Como é feito o diagnóstico de Peritonite Bacteriana Espontânea?

O diagnóstico de PBE é feito pela análise do líquido ascítico, que tipicamente mostra uma contagem de neutrófilos polimorfonucleares (PMN) maior ou igual a 250 células/mm³, na ausência de uma fonte cirúrgica de infecção.

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