Diagnóstico de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

BGD, 46 anos, sexo masculino, alcoolista crônico, com cirrose hepática etanólica descompensada e ascite volumosa, dá entrada no Pronto Atendimento com dor abdominal difusa e melena. Para pesquisa de peritonite bacteriana espontânea (PBE) foram solicitados exames do líquido ascítico, que evidenciaram: dosagem de proteínas de 0,3 g/dL e ausências de bactérias coráveis pelo Gram. A citometria revelou predomínio de polimorfonucleares (mais que 50%) com 450 células/mL. Cultura em andamento. Sobre este caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A melena não tem influência no surgimento da PBE.
  2. B) Essa dosagem de proteínas exclui o diagnóstico de PBE.
  3. C) O predomínio de polimorfonucleares (mais que 50%) com mais de 250 células/mL presume PBE.
  4. D) O resultado do Gram exclui o diagnóstico de PBE.

Pérola Clínica

PMN > 250/mm³ no líquido ascítico = PBE (independente de Gram ou cultura).

Resumo-Chave

O diagnóstico de PBE é presuntivo e baseado na contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico superior a 250 células/mm³, exigindo início imediato de antibioticoterapia.

Contexto Educacional

A PBE é uma complicação grave da cirrose hepática, geralmente causada por translocação de bactérias Gram-negativas entéricas (como E. coli). O diagnóstico diferencial inclui a peritonite bacteriana secundária (causada por perfuração de víscera ou foco intra-abdominal), que se diferencia pela presença de múltiplas bactérias no Gram, níveis de proteína muito elevados e glicose baixa no líquido ascítico. Na prática clínica, a rapidez no diagnóstico via paracentese diagnóstica é crucial para reduzir a mortalidade.

Perguntas Frequentes

Qual o critério diagnóstico padrão para PBE?

O critério diagnóstico padrão-ouro para Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é a presença de uma contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico igual ou superior a 250 células/mm³. Este achado é suficiente para iniciar o tratamento empírico com antibióticos (geralmente cefalosporinas de 3ª geração), mesmo que a cultura do líquido seja negativa (configurando ascite neutrocítica) ou que o Gram não identifique bactérias.

A proteína baixa no líquido ascítico aumenta o risco de PBE?

Sim, níveis de proteínas totais no líquido ascítico inferiores a 1,0 g/dL ou 1,5 g/dL são considerados um fator de risco importante para o desenvolvimento de PBE. Isso ocorre devido à menor atividade opsonizante do líquido, facilitando a translocação bacteriana e a infecção. Pacientes com proteína baixa e cirrose avançada frequentemente necessitam de profilaxia com norfloxacino.

Como a hemorragia digestiva influencia a PBE?

A hemorragia digestiva (como a melena citada no caso) é um gatilho clássico para a translocação bacteriana em pacientes cirróticos. O sangue no trato gastrointestinal altera a permeabilidade da barreira mucosa e serve como meio de cultura, aumentando drasticamente o risco de infecções sistêmicas e PBE. Por isso, todo cirrótico com hemorragia digestiva deve receber antibioticoterapia profilática.

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